A revista russa Marie Claire entrevistou Robert Pattinson recentemente durante a divulgação da nova fragrância da Dior, onde ele é o novo garoto propaganda. Durante a entrevista o ator falou sobre sua carreira, sua paixão pela música, entre outros assuntos. Veja à seguir os scans e a entrevista traduzida na íntegra pela nossa equipe.


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Los Angeles? 30 minutos com Robert Pattinson? Sim, por favor! Eu mal desliguei o telefone quando todo o grupo editorial estava me dando conselhos sobre o que perguntar a ele, como obter um autógrafo, ou melhor, tirar uma foto com ele para me gabar depois. Mas as coisas não são feitas assim. Para me preparar para a entrevista eu tive que re-assistir a todos os filmes da jovem estrela, e não apenas saber que Robert Pattinson é britânico, (sua procedência inglesa se mostra no primeiro momento do nosso encontro), e ele tem o cuidado de ter uma biografia quase perfeita.

Ele nasceu no subúrbio de Londres, sua mãe trabalhava em uma agência de modelos, o pai era um comerciante de carro antigos. Ele e suas irmãs foram para a escola, onde, um dia, ele ficou interessado em teatro. Este passatempo inocente depois o transformou em um ator. Mas não foram as obras que trouxeram fama para Robert, mas seus papéis em filmes em que ele inesperadamente, para si mesmo, mostrou um novo herói representando o taciturno inteligente, de palidez agradável, modos refinados e vago romantismo britânico em oposição à força física rude e brutalidade.Isso é exatamente o que eu preciso – uma conversa com um intelectual que é bonito, é um dos meus gêneros favoritos. “Desculpe estou um pouco atrasado, mas eu tinha que pegar algo para comer. Nos hotéis, sempre peço a mesma salada “César” e sanduíche club. Tão comida de hotel…” – ele acrescenta seu sorriso desarmante a estas palavras ao mesmo tempo, não sabendo se aperta a minha mão ou não (um dilema terrível para um inglês- no que se refere à educação politicamente correta- se eu sou feminista, ele deveria dar-me a mão, se eu sou antiquada, então eu não vou gostar. Ele não tem ideia de como podemos fazer essas coisas na Rússia) geralmente ele sorri e ri muito.

Um dia antes, na conferência de imprensa o novo rosto da Dior estava vestido estritamente em terno elegante com gola alta preta e parecia absolutamente respeitável, o que não impediu que o diretor de barba negra do anúncio Romain Gavras fizesse brincadeiras sobre ele. Hoje ele está vestido mais casualmente – jeans, camiseta branca, blazer cinza. Um boné de beisebol. “Sim, esse é o meu estilo, o que você vê agora. Eu me sinto confortável e livre, e eu valorizo a liberdade” – ele responde minha pergunta sobre suas preferências em roupas. “Agora eu tenho um monte de coisas para fazer – eu estou procurando uma casa nova e isso se tornou uma verdadeira paixão para mim. Estou olhando para as diferentes ofertas na internet e a movimentação de um lugar para outro. É por isso que escolho a roupa mais habitual e segura. Eu amo manhãs, nem todas as manhãs… é bom quando eu não tenho que me dar pressa para ir a qualquer lugar, quando o sol está brilhando e eu posso deitar e pensar no dia , fazer planos… entender que tudo está apenas começando… Também eu nunca me exercito! Esporte de manhã me aborrece. Mas o boxe à noite, ou até mesmo no período da tarde é uma coisa diferente. Eu faço um pouco de boxe e eu vou mantê-lo se eu tiver tempo suficiente.

Eu acho que ele é um viciado em trabalho. Nossa conversa se move lentamente para o tema de cinema… Filmagens com David Cronenberg… Planos futuros… “Eu não tive o que chamo de “férias” por sete anos. Seria bom para esquecer a realidade, às vezes, mas para ser honesto, eu não me sinto muito cansado. Eu já percorri um longo caminho desde a segunda parte de “The Ring of the Nibelungs”, passando por “Twilight” até ”Cosmopolis”, de Cronenberg . E o grande esforço posto em “Water For Elephants” e “Bel Ami”. Quanto mais eu percorro, maior é o meu desejo de seguir em frente, tentar coisas novas, eu não quero parar absolutamente. Eu tenho sorte, porque o que faço é dificilmente diferente de descansar, e você deve tirar proveito disso e não contar quantos dias você esteve trabalhando no final. Eu não quero perder tudo isso. Você está perguntando o que me impulsiona a seguir em frente? Medo. O medo me faz levantar todas as manhãs e me diz “faça o melhor, não pare, você deve experimentar isto. Quando você viver assim, novas oportunidades surgem o tempo todo. Isto é o que aconteceu com Christian Dior Perfumes – para mim, fazer parte do anúncio, cooperar com esta marca lendária se tornou totalmente uma nova etapa. É como se mover para um novo nível. Por um lado você entende quanta confiança que eles colocam em você, por outro lado, você quer trazer algo de si mesmo para esta história “perfeita até o último detalhe”. O personagem Dior Homme é real e um verdadeiro mestre de sua vida, ele cria tendências, dita as suas condições. Em minha idade estes são sentimentos muito novos (mas agradáveis). Mas eu tenho muita energia e eu estou pronto para compartilhá-la. Estou pronto para viver mil vidas: uma imagem hoje, outra amanhã. “Eu não sei nada sobre perfumes, mas eu gosto desta essência”.

Às vezes eu consigo falar com ele sobre coisas pessoais… (bem, coisas quase pessoais). Robert fala abertamente e muito emocionalmente, habilmente evitando questões sensíveis, não adicionando detalhes quando é possível. Durante esses 30 minutos, ele sorri e reage às minhas perguntas com risos. Surpreende-me que um homem que pode corar tenha se tornado um ator. Ele é o mais tímido de todos os atores que eu tive que entrevistar durante os últimos 4 anos. Sua atratividade é de uma natureza completamente diferente, não há nada rude, indecente, abertamente dominante sobre ele. Mesmo a barba, não faz dele um “homem real”. Ao mesmo tempo, é impossível evitar seu incrível encanto. Ele exala gentileza masculina, desejo de compreender, aconchego e requinte.

“Desde criança eu queria ser como meu pai, ser masculino, sábio e forte”, Pattinson parece estar lendo meus pensamentos, “com os anos, os sonhos tornaram-se mais específicos, e eu pensei que poderia me tornar um bom político. Por quê? Porque tudo parecia ser um bom jogo – negociar com as pessoas, resolver conflitos, elaborar discursos. Se você soubesse os discursos políticos que queria escrever! Que argumentos eu costumava utilizar! O meu adversário nos debates estaria condenado desde o início… Então eu me interessei por música. Claro que eu não faço isso profissionalmente como minha irmã Lizzy (ela tem sua banda e seus CDs são os mais vendidos no Reino Unido), mas eu ainda me levo muito a sério. Às vezes eu penso que na próxima vida eu vou ser definitivamente um pianista. Imaginem: uma praia – eu tocando num grande piano. Este sou eu. A música está sempre em um lugar próximo. Eu toco piano desde que tinha quatro anos, e violão desde que eu tinha 5 anos. É por isso que eu gosto de gêneros musicais tão diferentes – Rock Soul (o filme Dior Homme usa “Whole Lotta Love”de Led Zeppelin), o único gênero para o qual eu não estou pronto para voltar é o Rap. Há sempre lugar para ele – se não a música , então viajar e livros. Eu gosto de viver em hotéis, andar pelas ruas , estar em lugares onde as pessoas se reúnem. Um monte de lugares têm certas associações em minha mente: Nova York – é Brooklyn, Paris- chuva e um pouco de frio, (e não discuta comigo, estas são as minhas associações!) Londres – grande número de russos, a Rússia – Bulgakov e Nabokov “.

Eu vou ser honesta que naquele momento eu tomei a iniciativa na conversa e a conversa se transformou em uma palestra expressa sobre a história da literatura russa, com Robert constantemente fazendo perguntas e fazendo comentários. Mas o tempo é o tempo e tive que fazer a pergunta principal: Que princípios são realmente importantes para você na vida e há algo que você gostaria de mudar? “Oh meus princípios são muito simples – ser honesto comigo mesmo, pensar menos em mim mesmo e ser agradável com as pessoas. Eu gostaria de mudar tantas coisas – deixar completamente os fast foods e tocar música na praia… Você se lembra, certo?”

Fonte | Tradução: Marjorie Nobre