The Sunday Times: Robert Pattinson e Brady Corbet são irmãos de guerra

o The Sunday Times esteve conversando com Robert Pattinson e o diretor Brady Corbert sobre The Childhood Of A Leader que está com a estréia marcada para o dia 19 de Agosto em Londres. Além de serem colegas no mundo profissional, ambos se tornaram amigos e falaram um pouco sobre o mundo hollywoodiano e seus filmes de super-herói, como é difícil conseguir financiamento para filmes independentes e mais. Confira os scans e outtakes liberados e também a matéria transcrita pela nossa equipe:


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A estrela de “Twilight” e seu diretor, um velho amigo, em seu novo filme desafiador – um filme inteligente, que vai contra a natureza da Hollywood moderna.
Robert Pattinson e Brady Corbet: Irmãos de Guerra
O mais curioso sobre o novo filme de Robert Pattinson é, bem, é tudo estranho. Começando com a posição das câmeras que mal mostram os atores, que conta uma história sobre o fascismo que você precisa pensar muito para saber se é mesmo sobre o fascismo, é certo dizer que The Childhood of a Leader está muito distante do filme que o tornou conhecido como um vampiro, em ”Twilight”, tanto é, que não irá, absolutamente, ser compartilhado com os mesmos fãs.
É como Justin Bieber desistir amigavelmente de seus hits pop para gravar um álbum de música eletrônica na Indonésia. Assim, em um clube em Londres, durante o café da manhã, pergunto ao ator, por que fazer algo tão peculiar?
“Porque não existe mais nada!”, diz ele, rindo. Ele ri muito, um pouco nerd, como um adolescente em casa assistindo a um episódio particularmente bom de South Park. Os filmes maiores, explica ele, apenas não são interessantes. Na década de 1990, havia as opções de dramas tradicionais ou filmes de ação para adultos, mas agora… “Sua única opção é fazer um filme de super-herói”, diz ele, referindo-se as 71 adaptações de quadrinhos atualmente em desenvolvimento. “Você pode fazer um super-herói, ou você pode fazer filmes indepententes. É isso!” Ele parece exasperado. “Você não pode mais nem fazer filmes de Nicolas Cage”, diz ele. “Você não pode fazer nem um Con Air. Eu adoraria fazer Con Air”.
Como ele diz, porém, filmes como Con Air não existem mais. Então, ao invés disso, neste verão tão despretensioso, ele tem um papel em The Childhood of a Leader, feito por seu velho amigo – e diretor de primeira viagem – Brady Corbet. Ele também está aqui. Ambos estão usando azul escuro: o cineasta com um lenço, apesar de ser verão; a estrela com um jeans e uma camiseta que parece ter sido comprada na Gap, há pelo menos uns oito anos. Pattinson é discreto assim. Na verdade, eu tenho certeza que ele está com as mesmas roupas que ele usava quando nos conhecemos em 2014 no festival de cinema de Cannes. Eu digo que eu achava que ele estava curtindo uma ressaca naquele dia. “Não ficaria surpreso”, admite ele, sorrindo. Ele tinha muito a comemorar naquele ano, já que ele estava promovendo dois de seus filmes no maior evento do mundo para autores: uma pelo australiano David Michôd (The Rover), e o outro era o seu segundo filme com David Cronenberg (o ótimo, Mapas para as Estrelas). Ambos um grande salto de credibilidade para um jovem ator, até então, conhecido apenas por interpretar um vampiro morto-vivo em uma série adolescente e pelo término de seu romance com sua co-estrela, Kristen Stewart.
Isso, você me viu em Cannes, no entanto,” diz Pattinson como discutiremos sua dramática mudança de carreira, “Brady tinha, tipo, oito filmes. Foi inacreditável. Eu estava tão orgulhoso de mim mesmo porque eu tinha dois, enquanto ele a cada 10 segundos, estava em um filme diferente.”
Corbet (rima com “sorbet”) se agita sem jeito. Ele não é remotamente arrogante, assim, confrontado por um sopro de Pattinson, o diretor recua. O ator tem um ponto, no entanto. Se você conhece Corbet bem, é mais provável, que você o tenha assistindo no melhor filme arthouse europeu dos últimos cinco anos. Ele estava em Melancholia (Lars von Trier), Sils Maria (Olivier Assayas) e Força Maior (comédia de humor negro, essencial sueco). “Quer dizer, eu nunca apareci em qualquer lugar com um bloco de notas”, diz ele, quando eu pergunto se ele estava usando essas funções para aprender a dirigir. “Eu estava curioso para ver como aqueles que eu realmente admirava trabalhavam. E quem não estaria? Não era a minha intenção parecer que eu tinha conseguido me perder em uma backlot europeia, dizendo ‘Hey!’ Por cinco minutos no filme dos outros”.
Eles são uma dupla divertida, com sagacidade seca e morbidez estridente, ocasionalmente. Eles são amigos há 10 anos, se conheceram quando Pattinson mudou para Los Angeles. Corbet saltou para a fama dos tabloides na adolescência no impulsionante Thirteen (2003), antes de partes muito diferentes em um remake Thunderbirds (“Eu o conheci em uma sessão de autógrafos para fãs”, brinca Pattinson), em seguida como um dos assassinos na reedição americana, Funny Games de Michael Haneke. Ele tem 27 anos agora e tem uma filha com sua esposa norueguesa (e co-escritora de The Childhood of a Leader), Mona Fastvold. Pattinson tem 30 anos e parece estar noivo da estrela pop experimental FKA Twigs, dependendo de qual dia você verificar isso na internet.
O filme é tão inescrutável como eles; tão culto, sua trilha sonora é de Scott Walker. O protagonista é um garoto (Tom Sweet), e o que acontece é que, em 1918, ele se muda para a França porque o pai (Liam Cunningham) é um diplomata que trabalha na elaboração do Tratado de Versalhes. Tudo o que acontece vai levando a se tornar um líder fascista décadas adiante. A estrela de Crepúsculo interpreta um jornalista influente e um papel surpresa muito bem guardado.
Tido estranhamente, como um filme de terror, transforma telespectadores em testemunhas de uma catástrofe futura, mas sem lhes dar muitas pistas. Ele realmente faz você pensar. “a alegoria do filme, não é um colapso literal de como dois mais dois é igual a quatro”, explica Corbet. “A coisa mais absurda com documentários sobre histórias de origem dos vilões do século 20 é que há sempre um ponto de partida que lhes definiu. O que é um absurdo – momentos aparentemente tão inconsequentes nos moldam, tanto quanto traumas. Eu me relaciono mais profundamente, às vezes, com o cheiro do perfume da minha mãe quando eu tinha cinco anos, do que eu em luto por um amigo que faleceu.” Claramente não é um homem para um afastamento rápido.
Pergunto a Pattinson como Corbet lhe vendeu seu filme. “Crescendo na Inglaterra”, explica ele, “você tem uma aversão natural a peças de época, especialmente se você foi para uma escola particular. Assim que você pega um script de época, você ficará tipo, ‘Ugh’. Mas eu li este e me senti estranhamente contemporâneo. Foi apenas muito incomum.” Corbet concorda que como um filme sobre o extremismo, tem ressonância no mundo moderno. “Infelizmente”, ele suspira: “Eu poderia fazer o filme em 100 anos e sempre seria relevante.”
Se o britânico atraente, chamado de R-Patz pelos fãs, fez fama fazendo charme, isto parece um jogo estranho para este americano pensativo que decidiu que Hollywood era insuficiente para seu cérebro, tais noções desaparecem rapidamente. Corbet tem uma espécie sarcástica de intelecto, e é rápido para ridicularizar certos financiadores de filmes por apenas patrocinarem dramas sociais sobre “um motorista de táxi deprimido e seu filho adotivo, que é um ex refugiado… Eles encontram a redenção juntos.” Pattinson pode dizer menos, mas o que ele diz, e, em uma metáfora esticada, essa eficiência também resume o que ele traz para seu novo filme.
Sem rodeios, sem ele, The Childhood of a Leader poderia nunca ter sido feito. Corbet tentou obter financiamento por anos, mas as opções de atores – especialmente os mais jovens – procuraram papeis pensando que vão fazer: dinheiro ao longo do processo. Mas Pattinson, ele insiste, não é assim.
“É a forma mais inteligente de usar o sucesso”, diz Corbet. “Porque é a forma que as vendas são feitas significa que os atores se tornam objetos com um determinado valor, e você efetivamente se torna um artista e produtor, porque você pode chamar um autor que está tendo uma fase difícil para seu filme ser feito e, bem, de repente… o envolvimento do Rob significa [para diretores] que pode estar no caminho certo para conseguir fazer seu filme. “
Pergunto a Pattinson se ele acha que sua base de fãs de seus vinte e poucos anos o acompanharam em seus novos caminhos. “Às vezes”, diz ele, sem saber. “Mas um monte desses trabalhos são obscuros. Eu duvido que alguém que tenha visto The Rover, ‘Ele está tentando encontrar coisas completamente novas.’ O ponto todo é ser desorientado, já eu estou tentando fazer isso por mim mesmo.”
Os filmes de Crepúsculo foram uma grande loucura, mas suas influências, como Daniel Radcliffe fez passando por Harry Potter, o fez usar bem essa oportunidade. Kristen Stewart é talvez a melhor atriz de cinema com menos de 30 anos; enquanto Radcliffe tomou impulso e dinheiro atuando como o menino bruxo, para agora passar o tempo em peças e fazendo seu novo filme sobre um cadáver flatulento. Estes atores ficaram extremamente famosos muito cedo, e em seguida, fugiram do convencional. Enquanto muitos (Ruffalo, Johansson, Cumberbatch, Adams, Leto) fizeram papéis menores no início da carreira e agora são superiores, estando em filmes de super-heróis, estes três têm procurado desafios. Pattinson fala de Cronenberg ao ser perguntado se o talento em filmes de quadrinhos eleva a qualidade do material, ao qual o diretor disse, não, “eles ainda são apenas os caras idiotas em um cabo”.
Corbet interrompe. É, diz ele, “um momento estranho” na cultura. “Há muito conteúdo, e é inacreditável como muita coisa é ruim”, diz ele, balançando a cabeça e sorrindo ao mesmo tempo. “Talvez seja só porque eu sou um rabugento, mas eu acho que é possível que tudo seja uma merda. Não há essa coisa estranha agora, quando você vai jantar com os amigos, e [todo mundo está falando] sobre prazeres culposos.”
“Mas você não pode apenas ter prazeres culposos”, diz Pattinson. “Porque, então, são apenas seus prazeres!”
Corbet é um pensador preocupado, típico de um jovem, independente, no cenário angustiado com tempo de sobra para leitura. Pattinson, porém, é a surpresa. Ninguém pensou que ele sumiria, já que jovens atores extremamente famosos que jogam o jogo da publicidade raramente encontram coragem para dar sua própria opinião. Mas ele tem seus pontos de vista sobre a TV. Ele diz que as pessoas são mais simpáticas para filmes feitos direto para a TV, pois é como ter alguém os visitando em suas casas. É fácil. “Mas o ato de ir ao cinema”, continua ele, “as pessoas pensam, ‘Paguei por isso. Eu tive que sair de casa. Agora eu quero ser entretido. Me entretenha.’ Com a TV, se você se comprometer a assistir qualquer coisa por 30 horas, você já não tem que descobrir como apresentar subtexto, como em um filme. As entrelinhas estão na superfície. Estende a qualquer desempenho e você vai criar o subtexto em sua própria cabeça como um espectador. Eles tem performances muito mais matizadas, como pontos da trama são muito mais elásticas.”
Talvez ele sempre foi uma pessoa estranha. Talvez seja por isso que ele era bom como o vampiro anti social Edward Cullen. Gostaria de saber se há uma razão para seguir em frente, talvez para evitar gigantescas viagens de divulgação globais. Ele dá de ombros. Ele gostava delas, diz ele. “Eu só tenho desperdiçado todo o meu tempo.”
Tem mais. Ele admite o primeiro trote de publicidade foi dar cerca de 80 entrevistas por dia – por semanas a fio. “Você se sente insano, mas eu acho que o estúdio cortou meus dias, porque eu comecei a falar toda vez a mesma coisa.” Sua dica para algum ator em uma situação tão chata similar? “Seja passivo.”
The Childhood of a Leader estreia em 19 de agosto no Reino Unido.
Tradução e transcrição: Equipe Robert Pattinson Brasil – Ana Paula

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