Scans + Entrevista traduzida de Robert para a “Studio Ciné Live” da França

A edição deste mês da revista francesa “Studio Cine Live”, trás em sua capa Robert Pattinson e uma nova entrevista super interessante sobre Life! Além de falar sobre o filme, o ator também falou o por quê ele tem escolhido atuar em filmes independentes ao invés de grandes franquias, e revelou também, que tem uma lista de 14 diretores que ele gostaria de trabalhar, sendo que desses 14, ele já conseguiu trabalhar com 6. Veja à seguir os scans e a entrevista traduzida pela nossa equipe.


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Robert Pattinson, sempre duas vezes (piada de mau gosto francês porque Pattinson em Inglês soa como a palavra anel em francês… Então, essa piada é como soando duas vezes)

Desde crepúsculo, o jovem britânico, que recebeu o prêmio “Hollywood Rising Star” no Festival de Deauville, não parou de trazer sua postura casual em filmes de autores exigentes. Antes, David Cronenberg, agora, Anton Corbijn. O ídolo adolescente é, em Life, o fotógrafo que irá revelar a aura de James Dean.

Robert Pattinson aproveitou alguns dias fora em seu apartamento de Londres antes de se juntar a equipe de ‘The Lost City de Z’ sob a direção de James Gray, começando em Belfast e terminando na América do Sul. Nas perguntas feitas à ele, podemos sentir que o ator não fica muito confortável com entrevistas. Pelo telefone parece ainda mais frio. Mas, como o passar do tempo, neste dia quente de verão, o gelo se quebra. Descobrimos, sob o jovem homem tímido, um ator engraçado e muito cinéfilo.

Stúdio: Antes de filmar a LIFE, quem era Anton Corbijn para você? O fotógrafo de músicos ou o diretor de “A MOST WANTED MAN”?
Rob: É impossível não conhecer fotos de Anton Corbijn. Mas antes de tudo sou um grande fã de CONTROL (primeiro filme do diretor sobre a vida de Ian Curtis, líder do Joy division ). Eu vi várias vezes. Eu realmente queria muito trabalhar com ele.

Stúdio: Então é por causa do diretor que você escolhe um projeto?
Rob: Um filme é sempre uma aposta. Quando assinamos, nunca sabemos se o resultado vai ser bom ou ruim. Adoro ter garantias. Por filmar com um diretor que eu admiro, os riscos são limitados. Tenho sonhado por anos, trabalhar em um filme com James Gray, por exemplo. TWO LOVERS é, para mim, uma obra-prima… os atores são perfeitos, a arquitetura da história é muito sutil. Alguns diretores são capazes de filmar esse tipo de filmes. James Gray faz um cinema muito peculiar, que possui um ar clássico. Tínhamos três projetos juntos. Há três anos atrás eu disse sim para “THE LOST CITY de Z”, a fascinante história de um explorador que desapareceu na Amazônia. O script continuou a evoluir. Os planos eram que Brad Pitt (produtor de cinema) é quem iria desempenhado o papel que Charlie Hunnam tem agora. Mas eu não teria desistido. Eu estaria pronto para esperar mais.

Stúdio: De onde vem seu amor por filmes?
Rob: Meu primeiro choque como um espectador, foi aos 15 anos, com “A BOUT DE SOUFFLE”, de Godard. Após assistí-lo, eu queria ser Belmondo, mesmo não querendo ser um ator ainda. O estilo de filme ainda era novo… Depois disso, eu descobri o Milos Forlan, Bob Rafelson. E, mais tarde, tremi na frente SCREAMERS, de David Cronenberg.

Stúdio: A lista de diretores que você trabalhou é realmente impressionante: Werner Herzog, David Cronenberg, James Gray, e Harmony Korine no ano que vem. Você deseja ter uma carreira só de filmes independentes?
Rob: Os papéis  mais apaixonantes são encontrados em filmes independentes. É impossível um blockbuster te dar um papel subversivo porque ele só é feito para entreter o grande público. Eu não quero ter postura de um artista, não estou interessado em um filme, que seja apenas para atuar nele. Quero papéis que me façam correr riscos toda vez (que duvidam de mim).

Stúdio: Duvidam de que forma?
Rob: Eu não sei. Atuo há onze anos e desde o começo eu sei o que eu gosto, e se posso ou não atuar. Na verdade, procuro papéis complicados. Eu amo a ideia de olhar para um papel sem saber como representá-lo. A experiência como um sentido científico me seduz. Não a experiência como uma habilidade.

Studio: Você está indo em direção a este tipo de carreira devido ao que aconteceu com a saga Crepúsculo?
Rob: Eu comecei com papéis estranhos, antes mesmo de filmar Crepúsculo. Fiz filmes independentes. E mesmo TWILIGHT, se realmente pensar sobre isso, não é realmente convencional. Na verdade, eu nem sei como ser convincente como uma pessoa normal, em um papel.

Stúdio: Você recusou um monte de franquias?
Rob: Impossível responder a isso. Meu agente sabe o que me interessa então ele me mostra, eu acho. Para tirar sarro de mim, ele geralmente diz, ‘e se um estúdio chegar até você como um herói que tinha uma perna de pau ou algo repulsivo, você aceitaria isso?’ Então eu apenas sigo meus sonhos: trabalhar com diretores que admiro. Fique tranquilo, a lista não é tão longa, eu estarei concluindo ela em breve. Eu tenho uma lista com 14 diretores que são os meus favoritos e eu já consegui trabalhar com 6 deles. Mas eu tenho a chance de descobrir novos diretores também, como Josh e Ben Safdie com quem vou filmar uma comédia de humor negro, GOOD TIME, onde eu vou ser o único ator profissional.

Studio: E sobre o projeto que você tinha com Olivier Assayas, IDOL’S EYE?
Rob: No outono passado, fui para Toronto para iniciar as filmagens, e um dia antes de começarmos, tudo parou. Isso aconteceu três vezes. É horrível. Não sei como estamos.

Studio: Por que você queria Romain Gavras como diretor do anúncio Dior?
Rob: Eu caí de amor por seu filme,  NOTRE JOUR VIENDRA. E sobre o STESS, seu clipe musical para a Justice. Eu gosto da energia frenética que vem dele. Eu sei que o vídeo (que mostra crianças nos bairros sendo agressivas, quebrando tudo) tem sido considerado subversivo. Romain me disse que no dia em que foi lançado, as opiniões de extrema esquerda disseram que ele era um fascista, e as opiniões da extrema direita disseram que ele era um anarquista.

Studio: Difícil relacionar isto com uma marca de luxo…
Rob: Eu estava um pouco ansioso para filmar um anúncio. E eu realmente nunca gostei da ideia de me encontrar em uma posição onde provavelmente diria ‘Hey olhe pra mim olhe para mim’. Com Romain Gavras, eu senti que esse comercial seria mais visceral e menos estético. Claro, ainda é só anúncio. Mas estou satisfeito que eles adicionaram uma garota, a Camille Rowe Pourcheresse. E então ela chama a atenção para si mesma.

Studio: Você deve odiar ser fotografado. É um pouco paradoxal que aceitou um papel como um fotógrafo…
Rob: Para mim, LIFE não é um filme sobre a fotografia. O que realmente me atraiu, foi o caminho que um homem escolheu para se tornar um artista. Dennis Stock vê James Dean como um assunto que irá abrir as portas da sua carreira artística. Assim como James Dean acha que ele é o artista e que fotos de Dennis só será ficarão famosas por causa dele. Eu amo este paradoxo. Dennis Stock era na verdade era um pouco amargo, e a única coisa que nos lembramos de sua carreira foram as fotos do James Dean. Ele disse que ele fotografou, belas paisagens e um ensaio e jazz. E ele odiava a razão pela qual ficou famoso. Eu acho realmente interessante. Isso acontece às vezes com atores.

Studio: Dennis Stock é um pequeno homem agradável. Incomoda-lhe dar esta imagem desagradável?
Rob: Não, é por isso que o papel é apaixonante. Depois de ler o script, eu imaginava o Stock andando por aí. Eu quase podia sentir a sua falta de jeito, sua frustração, sua falta de confiança. Eu entendi este homem que se tornou um pai aos 20 sem saber como ser um.

Studio: Como você fez a abordagem do papel?
Rob: Anton Corbijn me deu uma Leica (uma câmera forográfica antiga). Eu andei com ela por aí durante quatro meses. Eu queria poder me tornar um fotógrafo, mas nenhum milagre aconteceu. Minhas fotos não eram nada formidáveis. No entanto, estes quatro meses me fizeram entender a posição do fotógrafo. Eles se sentem à vontade em todos os lugares, como se tivéssemos uma boa desculpa para estar lá. Mãos segurando uma câmera  é como você ter poderes. Foi particularmente verdade na década de 50, porque só os profissionais poderiam andar por aí com uma câmera. Os que não eram profissionais foram apenas inventados e algumas pessoas realmente poderiam pagá-los. Há solidão também – tema acalentado por Anton Corbijn – porque fotografia é uma das poucas artes onde você pode esconder seu rosto. Dennis também queria ser uma estrela, mas ele não poderia quebrar a janela atrás da qual ele se escondeu. Essa separação torna-se mais forte quando você fotografa pessoas famosas.

Studio: LIFE mudou você?
Rob: Sim, porque eu tento encontrar papéis que vão me fazer entender que eu posso dar o meu melhor e melhorar também. Para mim, Life é uma história sobre a auto-confiança. E isso eu tenho, pois, eu estou aceitando papéis que nunca tinha pensado em fazê-los antes. Filmes extremos, como o dos Safdies. E então a próxima Claire Denis, de quem eu sou um fã desde que vi WHITE MATERIAL. Será seu primeiro filme em língua inglesa e seu primeiro filme de ficção ciêntifica!

Studio: LIFE questiona o mito da eterna juventude. Como você imagina seus 30 anos, tendo 29 hoje?
Rob: Eu descobri que me sinto mais atraído por estes papéis conforme vou envelhecendo. Então eu não tenho medo de mudar. Pelo contrário. Quando você tem seus vinte anos, é difícil encontrar bons personagens. Eu amava a forma como James Dean se movia quando ele era jovem. Ele tinha uma elegância incrível. Se olharmos para sua interpretação, ele faz um monte de gestos que parece passos de dança.

Studio: Qual é a sua relação com seu corpo?
Rob: Eu sempre fiquei pouco à vontade com meu corpo. Mas agora estou começando a ficar confortável com isso. Mas acompanhar uma aula de dança como James Dean, é o retrato do inferno para mim! Não gosto de malhar o corpo também. Acho que eu vou continuar com ele assim.

Studio: Você se sente pressionado pelo fato de ter que permanecer jovem e bonito?
Rob: Assim que eu precisar disso, eu vou correr para o cirurgião plástico e substituir tudo o que preciso substituir! Ao que parece,inventaram super-músculos de silicones…

Studio: A carreira de Leonardo Di Caprio, com quem você é muitas vezes comparado, é um exemplo para você?
Rob: Sim, ele tem uma carreira incrível… Eu adoraria trabalhar com David Michöd, mais uma vez, que me dirigiu em THE ROVER, como Leo fez com Scorsese. A verdade é que, realmente não sei onde quero ir. E não sei o que sou capaz.  Eu apenas confio no destino.

Tradução: Ana Paula Oliveira

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