Robert Pattinson para a revista Esquire: Fotos + Entrevista traduzida

Robert Pattinson concedeu uma entrevista exclusiva para a edição de setembro da revista Esquire. Numa entrevista com um tom casual, o correspondente da revista em Los Angeles recebeu o ator em sua casa, onde conversaram sobre o rumo da carreira de Robert e seus futuros projetos. Foi nesta entrevista também que Pattinson quebrou o silencio ao falar sobre o ocorrido com Kristen Stewart em 2012. Leia a entrevista traduzida pela nossa equipe e veja os scans e as fotos do ensaio.


x Scans > Internacionais > 2014 > Julho 2014 – Esquire
x Photoshoots > 2014 > Esquire
x Photoshoots > 2014 > Esquire – Bastidores

Ele é o ator britânico de 28 anos que sobreviveu a prova de fogo – o fenômeno Crepúsculo, a histeria dos tabloide – para tornar-se um dos nossos mais promissores protagonistas. Ao longo dos próximos meses, você vai vê-lo em performances de alta qualidade em filmes de David Cronenberg, Werner Herzog e Anton Corbijn. Primeiro, The Rover, filme imperdível deste verão. Para comemorar, o correspondente da Esquire em Los Angeles convidou a estrela da capa de setembro para cervejas e um churrasco

Ele não parece o tipo nervoso, Robert Pattinson. Ele sempre parece tão calma, frente a todas essas garotas gritando. Mas há momentos em que ele fica muito ansioso, na verdade, o coração acelera e há mudanças de comportamento. E quando ele faz, ele mente, ele confunde as coisas. Ou pelo menos é o que ele disse na conversa com o apresentador americano Jimmy Kimmel recentemente, quando ele foi um convidado no programa para promover seu último filme, The Rover.

Tendo em conta que ele estava claramente muito nervoso para a entrevista em si, talvez ele estava mentindo o tempo todo, o que significaria que ele não estava, o que significaria que ele estava e assim por diante para sempre. Mas então ele provou isso. Enquanto ele se contorcia e se remexia na cadeira, ele disse ao Kimmel, sem motivo algum, que ele estava com “a saliva extraordinariamente pesada”, razão pela qual ele não poderia cuspir muito longe, não mais do 30 centímetros de distância. Ele também disse que ele gostava muito de ser cuspido, de forma erótica. O público adorou, e foi muito engraçado. Mas também foi muito estranho.

“OK, eu posso explicar”, diz ele. “Em todos os talk shows você tem que fazer uma pré-entrevista com algum produtor no dia anterior. E, em seguida, um segundo antes de você entrar, eles dizem o que você disse na pré-entrevista para prepará-lo para ela – e então você tem que ir e dizer tudo de novo. Então, eu estava sentado lá com Jimmy, e essa história que eu disse no dia anterior, de repente não parecia nada engraçada. Digo, em primeiro lugar, não era tão engraçada e agora eu tenho que contar esta história sem graça que Jimmy vai rir falsamente a respeito, e… eu consegui continuar. Então comecei a entrar em pânico. Eu estava literalmente suando muito. E me senti babando. Eu pensei, ‘Oh meu Deus, eu estou começando a babar’. Então, eu inventei esta história estúpida sobre ter saliva pesada, e o rosto de Jimmy apenas ficou tipo,’O que diabos você está falando?’”.

Ele ri. É um tipo de risada murmurada, cheio de autodepreciação e contenção. “Assim que eu vi seu rosto, eu me senti muito melhor!”, ele sorri. “Eu estava de volta a minha zona de conforto!”

Ele está me dizendo tudo isso enquanto está sentado no meu quintal em Eagle Rock, Nordeste de Los Angeles. Sim, Robert Pattinson está na minha casa, tomando uma cerveja, enquanto eu estou ao redor com o grill, um cenário que provavelmente deveria parecer mais estranho do que parece. Ele nunca veio antes. Não é como se fôssemos amigos ou nada. Nós só nos encontramos uma vez, há três anos, uma ocasião que ele há muito já se esqueceu.

Era alguma chamada coletiva de imprensa para o último filme da Saga Crepúsculo. Ele estava escondido em uma suíte de hotel estéril, em Beverly Hills, e eu era um de um trilhões de jornalistas que o conheceu naquele dia. Lembro que ele apareceu com uma camiseta que furada no lado e ele não tinha notado – não era uma coisa de moda, a costura tinha rasgado. Ele mencionou os nervos, então, também, dizendo que ele ficou tão nervoso antes de audições que ele tomou um Xanax antes de o final de Crepúsculo, só que ele havia exagerado, e ficou sonolento. “Oh essa entrevista! Eu tive que viver isso. As pessoas estavam tipo, ‘viciado em drogas!’. A culpa é minha. Eu falei sobre isso cerca de 50 vezes nas entrevistas, também.”

Desta vez, eu sugeri que tentar algo um pouco mais agradável. Talvez sair como pessoas comuns para uma mudança? Afinal, ele é um cara de Barnes, sudoeste de Londres, no final do dia, com 28 anos de idade. Talvez pudéssemos ir para o bar? Seu povo disse que era muito público: Barnes ou não, ele ainda é Robert Pattinson.

E se ele usasse um disfarce, eu disse? Não é isso o que as celebridades fazem, usam máscaras de esqui para ir na Starbucks e assim por diante? Eles recusaram: Robert realmente não sai muito, e quando o faz, ele só vai para casa de outras pessoas.

E foi assim que aconteceu. Eu disse, venha para a minha casa, vou colocar as cervejas no gelo e grelhar algo para almoçar. É Los Angeles no verão, é o que as pessoas fazem. E agora aqui está ele, esse inglês alto e totalmente afável em uma camiseta branca e calça jeans preta, acariciando meus cachorros e fazendo comentários agradáveis ​​sobre o bairro. Não há nenhum publicitário no reboque, não guarda no portão. Você tem que dar isso a ele: um monte de estrelas de cinema não iriam lançar-se na casa de um repórter assim, e sujeitar-se a um interrogatório.

E ainda, hoje ele parece relaxado, muito feliz apenas por descontrair e bater papo enquanto eu cozinho. Nenhum sinal dessa crise de nervos da qual ele estava falando. O objetivo é fazer salmão, legumes grelhados e nenhuma explosão. Pensei em fazer algo leve, porque você nunca sabe como os atores são. Escolha uma receita que parece mais difícil do que é. E tenha um monte de alternativas, apenas por precaução. Eu tenho um pouco de coisas que comprei na Wholefoods, uma delicatessen, esta manhã. Salada de batata, orzo com feta (queijo), algumas coisinhas de couve com passas… Será que R-Patz come passas? Posso pesquisar no Google?

“Desculpe, eu ajudaria, mas eu sou inútil com tudo isso”, diz ele, apontando para a grelha.

Mas grelhar é algo viril, é o que dizem.

“Eu sei, mas o meu ideal de masculinidade é ser incapaz de fazer qualquer coisa”, ele sorri.

O quê, como trocar um pneu?

“Não, apenas nada. Seja orgulhoso de sua ignorância. ‘Não me pergunte, eu sou um homem! Peça a alguém para fazê-lo!’” Ele ri e bebe sua cerveja. “É engraçado, quanto menos você faz, mais a montanha de coisas para fazer cresce. Hoje em dia, fazer uma chamada telefônica é cansativo.

Ele não é do tipo prático, digamos. No outro dia, ele tentou abrir uma garrafa com o seu iPhone; agora ele não pode desligar o seu viva-voz. Ele ama Game of Thrones, mas ele não sabe como gravá-lo em sua TV, por isso, ele vê ao vivo todos os domingos. Há algo de excêntrico sobre ele, o professor distraído, longe de seus pensamentos. Pelo menos desta vez sua camiseta está intacta.

A única coisa que ele poderia ter feito mesmo era vir de carro aqui. Ele gosta de dirigir em LA, mesmo com os engarrafamentos. Ele diz que é “uma pessoa relativamente solitária”, por isso, a condução é perfeita: ele ouve uma stand-up comedy no rádio pelo satélite Sirius e os engarrafamentos somem. Mas hoje, o seu assistente tinha de deixá-lo. Aparentemente, os paparazzi pegaram o gosto novamente. Um par de dias atrás, eles apareceram do lado de fora da aula de ginástica de Pattinson e quando seu personal trainer disse que o ator não estava lá e tentou fazê-los sair de lá, uma luta aconteceu e foi parar tudo no TMZ.

Esta manhã, havia seis carros fora de sua casa.

“Eu não entendo por que”, diz ele parecendo confuso. “Eu acho que isso passa por períodos em que você está atribuído ‘esse é o cara para seguir’. Mas sempre que eu vejo um monte de paparazzi saindo, eu sempre penso, ‘Oh Deus, o que eles descobriram!” Ele ri. “Oh, AQUELA amada criança! Eu esqueci completamente!”

Não é um escândalo que o colocou na mira. Ele apenas não é do tipo de escândalo. A única fofoca real, ele esteve envolvido na era de sua separação com sua co-estrela de Crepúsculo Kristen Stewart em 2012, de onde ele se saiu muito bem – foi Stewart, que o traiu, e com um homem casado, também. Não, a razão pela qual os paparazzi estão em sua cola é mais prosaica: ele é apenas ocupado, isso é tudo. Durante o ano passado, ele esteve diligentemente fazendo filme após filme independente, no que foi o seu primeiro trecho de trabalho pós-Crepúsculo. E até agora, sua direção parece clara – ele está trabalhando exclusivamente com diretores de cinema, em filmes que não são, obviamente, comerciais, e em papéis que são excepcionalmente desafiadores e muito diferentes um do outro.

No verão passado, ele terminou The Rover na Austrália, um faroeste distópico de David Michôd, que fez o brilhante Animal Kingdom em 2010. O desempenho de Pattinson já está recebendo elogios. Em seguida, ele passou 10 dias em Maps to the Stars, sátira impiedosa de David Cronenberg sobre Hollywood, seguido por Queen of the Desert de Werner Herzog no qual ele interpreta Lawrence of Arabia. Nesta primavera, ele fez Life de Anton Corbijn, no qual ele interpreta o fotógrafo Dennis Stock, que tirou fotos icônicas de celebridades nos anos cinquenta. E depois, há um drama criminal do diretor francês Olivier Assayas, co-estrelado por Robert De Niro.

Estas são apenas as produções confirmadas. Há uma longa lista de outros projetos indie convincentes que estão sendo negociados. Um filme com James Gray (The Immigrant) baseado no livro de David Grann, The Lost City of Z, e um par de filmes que realmente estão sendo escritos por ele – Harmony Korine (Spring Breakers), está escrevendo um filme de gângster para ele, situado em Miami, e Brady Corbet, um dos assassinos de Funny Games de Michael Haneke, está desenvolvendo um script chamado Childhood of a Leader. “É sobre a juventude de um ditador futuro nos anos trinta”, diz ele. “Como uma amálgama de Hitler, Mussolini e alguns outros. Eu não quero dar azar, mas Brady é como um sábio do filme. Eu o conheço há uns oito anos, e ele tem apenas 25 agora.”

É um currículo extraordinário que ele está construindo. E ele está fazendo isso com um propósito, buscar ativamente os cineastas que ele admira. O conhecidamente frio Harmony Korine se encontrou com ele para jantar, dizendo ao The Hollywood Reporter “me levou muito tempo para perceber que eu poderia fazer isso.”

Se parece que ele está escolhendo projetos que são tudo o que Crepúsculo não é – inteligente, adulto, independente – quem pode culpá-lo? Crepúsculo pode ter feito US$ 3,3 bilhões em todo o mundo, e ter gerado US $ 20 milhões para Pattinson sozinho no último filme, mas muito do que foi extraído saiu dos cofrinhos das adolescentes, um fandom de One Direction, e não um público conhecido por seu gosto por filmes. A série foi extremamente criticada, alegremente no entanto, e nem Pattinson nem Stewart foram poupados. O filme se saiu mal em comparação com outras grandes franquias da época, como Harry Potter ou Jogos Vorazes. Mesmo Pattinson expressou suas reservas, enquanto a série estava em andamento. Ele disse a Vanity Fair, “É estranho… tipo representar algo que particularmente não gosto.”

Mas os filmes de diretores conceituados são exatamente quem ele é. Ele não está apenas tentando lavar o fedor, ele está se revelando. Pattinson sempre foi um cara indie, um classicista, um fã de Godard, um verdadeiro cinéfilo. Ele apareceria no set de Crepúsculo, lendo Molière. Corbet descreve-o como sendo “extraordinariamente bem informado sobre cinema”. Mesmo entre Crepúsculos, ele saia para fazer dramas ambiciosos como Bel Ami e Cosmopolis, ambos em 2012. Em maio, David Cronenberg disse: “Ele poderia pegar o anel de bronze e continuar fazendo filmes de estúdio de grande orçamento, mas não é o seu desejo ser uma grande estrela de Hollywood.”

“Eu literalmente apenas tenho feito trabalhos que me interessam”, diz Pattinson. “Houve dois que eu fiz o teste e não consegui, mas diferente disso..”

Sem franquias?

“Um par de ofertas, mas com essas coisas, se você expressar algum interesse, você tem que fazer um teste de tela ou o que for, e eles fazem você assinar um contrato de seis filmes antes mesmo de saber qual é o papel. É uma loucura. E eu não cresci lendo histórias em quadrinhos e outras coisas, então…”

É arriscado o que ele está fazendo. Ele tem um longo caminho a percorrer, e ainda assim ele está arriscando o fracasso em cada vez. Não é fácil trabalhar com os melhores diretores do negócio, em papéis cada vez mais ambiciosos. Especialmente quando os críticos já tiraram seu sangue: durante sua carreira, eles o chamavam de um minimalista que carece de paixão e emoção. Com Bel Ami, é uma crítica justa, mas não para Crepúsculo – seu personagem Edward Cullen é um vampiro que não é expressivo por natureza.

É por isso que Crepúsculo foi, segundo ele, “um dos trabalhos mais difíceis de atuação que eu já fiz”. Mas, fundamentalmente, ele não se importa. Ele sente que os críticos dão aos filmes indie um tempo excessivamente difícil de qualquer maneira: “você é julgado muito mais severamente se você pisar fora das normas do entretenimento de massa.” E de qualquer maneira, ele não está fazendo isso para os críticos. Nem mesmo para o público.

“Da minha psicanálise de mim mesmo, eu acho que faço isso por mim”, diz ele. “Eu gostaria de ver se eu sou capaz de alguma coisa, e eu realmente não me importo com o que as pessoas pensam, mesmo que eu leia todos os comentários. Se isso realmente me importasse, teria me destruído anos atrás.”

Então, ele continuará “indo para a escola”, que é como ele descreve o caminho que escolheu. “Eu nunca fui para a escola de atuação, de modo que este é apenas eu tentando melhorar.” E, presumivelmente, os cineastas recebem um impulso, também, de ter uma grande estrela atrelada – um impulso em levantar o dinheiro, atraindo um público, gerar publicidade – todas as coisas que os filmes independentes precisam?

“Mmm…” Pattinson parece cético. “Eu não sei. Esses filmes poderiam todos serem feitos sem mim. Não é como se eu os promovesse muito bem.” Evidentemente sua própria narrativa, sobre fama e paparazzi, tende a sobrecarregar qualquer projeto que ele está tentando empurrar. “Eu digo a todas as empresas de produção em que trabalho, eu provavelmente vou estragar toda a sua campanha de marketing.”

E quanto a essa ideia de que o público de Crepúsculo vai segui-lo, Pattinson não acredita nem por um segundo. “Eles não vão. Eu já disse desde o início. Além disso, eu estou tentando fazer coisas que vão confundir o público. Quando você assisti a um filme de Joaquin Phoenix, sua performance não faz lembrar de suas outras performances. Esse elemento de ser um ator está quase completamente desaparecido.”

Um pensamento bom, embora – o fandom de Crepúsculo se sujeitou às visões distorcidas de David Cronenberg. Ele pondera. “Vamos ver. Acho que Maps to the Stars é provavelmente mais acessível do que The Rover…”.

***

‘Maps…’ é a segunda colaboração de Pattinson com o diretor canadense, o primeiro foi Cosmopolis há dois anos. E como muitos dos filmes de Cronenberg, é inquietante, até mesmo apavorante. Pattinson insiste que ele é “o cara mais doce do mundo, como um professor universitário muito gentil”. Mas Maps não é doce. Se os Twihards virem, é melhor estarem prontos.

Hollywood tem sido satirizado por cineastas, mas ‘Maps’ vai mais longe do que os antecessores – há incesto, piromania e assassinatos, mortes de crianças e animais. Os personagens são tão grotescos que são muitas vezes difíceis de assistir e, no entanto, já que é Cronenberg, eles também são muito engraçados; é a experiência enjoada de ser divertido e profundamente perturbador ao mesmo tempo.

O papel de Pattinson é pequeno, mas memorável. Ele é um motorista de limusine e um dos únicos personagens na tela, não obstante, um oportunista e amoral. Ele começa um relacionamento com uma assistente pessoal (Mia Wasikowska), e depois, à vista dela, faz sexo com sua chefe, Julianne Moore. Eles fazem isso na parte de trás de sua limusine. É uma cena que ele se lembra bem. “Foi a primeira vez que encontrei Julianne”, diz ele. “E essa foi a primeira cena que eu filmei. Isso foi parte da cena, também, a parte do sexo.”

Esta não foi uma manipulação do diretor para provocar uma certa performance – era apenas o pragmatismo, uma programação eficiente. Mas para Pattinson isso mostrou alguns desafios únicos. Não só ele tem que mergulhar no sexo com uma perfeita desconhecida – e não era um sexo bonito, mas grunhindo estilo cachorrinho, nenhum dos lados especialmente se divertindo – mas ele teve um de seus episódios nervosos no processo. Chame de ansiedade de desempenho, não apenas esse tipo.

“Eu percebi que eu estava suando”, diz ele. “Como o suor realmente pesado.” Já há um tema aqui, assim como a história saliva, Pattinson é um homem que tem aventuras suadas. Quando as coisas ficam difíceis, suas glândulas funcionam. Neste caso, não estamos falando de um filme úmido de suor na testa, mas grandes gotas grossas, como se ele tivesse malária, ou fosse um jogador de futebol em Manaus. “Lembro-me de tentar apanhar as gotas que caíam sobre suas costas. Foi estranho. Enormes gotas caindo. Em um ponto ela se virou e disse: ‘Você está bem?’” (Pode não haver conexão, mas Pattinson começou a meditar no set de ‘Maps’.)

Moore ganhou como melhor atriz no Festival de Cannes deste ano por sua atuação como Havana Segrand, uma estrela decadente que está tão danificada que ela literalmente dança com alegria quando ouve que o filho de uma rival atriz se afogou. Em outra cena, ela convida sua assistente, ou “prostituta”, para ver como ela tenta defecar. “Eu definitivamente encontrei pessoas como o personagem de Julianne,” ele diz. “Eu só não acho que ela é uma pessoa ruim. Eu a vejo como desesperada e triste. Mas talvez a minha bússola moral esteja apenas por todo o lugar!”

Qual é o pior comportamento que você já viu?

“Há tanta coisa que eu… é incrível como as pessoas mudam rapidamente neste negócio. Havia um cara que nunca tinha estado em um set de filmagem. E depois de apenas três dias, ele estava segurando a garrafa de água e à espera de alguém para levá-la. Três dias. Algumas pessoas apenas tem isso em si.”

E as pessoas simplesmente aceitam?

“Bem, sim, mas não é como se você escapasse disso. Esta atriz estava fazendo uma cena no banho e ela continuou reclamando da temperatura, como estava muito quente ou muito frio. Então todo mundo urinou na água e colocou um monte de banho de espuma em seguida, para que você não pudesse sentir o cheiro! Essas coisas acontecem. É por isso que eu evito pedir. Eu não quero o mijo de alguém em mim.”

***

Não havia chance de almoçar na casa de Robert (pedimos). Apenas não é seu estilo. “As pessoas recebem jornalistas porque é parte de todo o ‘show’”, diz ele. “Mas minha casa não reflete minha personalidade. Há, tipo, nenhuma mobília! Parece um pouco psicótico.” Ele está alugando uma casa em Mulholland Drive, que ele descreve como “estranha e um pouco tipo Cabin Fever (um filme)”. Ele está lá há um ano. “Mas eu passo a maior parte do meu tempo em um cômodo de qualquer maneira.”

Antes disso, porém, ele era dono de uma mansão em Griffith Park, um bairro lindo de canyons, caminhadas e todos os tipos de modismo no centro de Los Angeles. Não que Pattinson pudesse aproveitar muito dessas coisas: ele subiu o canyon talvez duas vezes, e como sempre, evitou todos os bares da moda. “Eu não posso ir a lugares da moda”, ele dá de ombros. “Eu tenho que achar estranhos pequenos restaurantes à margem. Mas eles são muito mais agradáveis. Eu amo bares vazios. Qualquer bar vazio, na verdade.”

“O jardim era tão grande que havia pessoas trabalhando nisso todos os dias, e você esquece”, diz ele. “Então você estaria nu na piscina, e lá estava o cara para o lago. Oi!”

Ele ainda estaria lá, se ele não fosse tão popular com os paparazzi – ou seja, se ele não fosse Robert Pattinson. Eles estavam por toda parte. “Eles fotografavam quem ia até o portão, quem tocou a campainha, e seguiam qualquer carro que entrava ou saia”, diz ele. “Eu costumava vestir meu assistente como eu, e mandá-lo dirigir com uns cinco carros o seguindo por horas.”

Então, ele vendeu por US$ 6.37 milhões no início deste ano, e por um tempo, ele poderia ter ido em qualquer direção. Pensou em Toronto, mas “os invernos são ridículos”. Nova York era uma possibilidade, mas “todo mundo buzina o tempo todo, o que me deixa absolutamente insano!”. E Londres apenas não se parece mais do mesmo jeito, não depois de sete anos em Los Angeles.

“Meus amigos estão todos tendo filhos e outras coisas, é uma vida totalmente diferente”, diz ele. “E eu gosto de pessoas que querem realmente fazer as coisas e façam algo. Na Inglaterra, é tão difícil que a maioria das pessoas simplesmente desistem.”

Então LA venceu. “Só de acordar quando está sol todos os dias significa muito para mim”, diz ele. “Eu gosto da leveza daqui.” Mas, desta vez, tinha que ser um condomínio fechado, e não há muitos deles em Los Angeles, por incrível que pareça. “Todas as casas são tipo US$ 25 milhões, esses enormes castelos”, diz ele. Não é o dinheiro que é o problema, é o tamanho. Seu último lugar, diz ele, era como Versailles, mas ele leva um estilo de vida pouco acético agora, imerso em seus interesses. Sua única extravagância real é sua coleção de 17 guitarras.

Então, ele alugou o lugar que ele está agora. E os portões dão a ele um grande conforto. Além disso, o seu vizinho do lado é Suge Knight, ex-CEO da Death Row Records. O mesmo Knight que estava entrincheirado na gangue Bloods de Compton, que iria realizar as suas próprias batidas, e que tem feito cumprido sua parte da prisão. “Ele é muito legal!”, Diz Robert. “Eu o vejo jogando bola com seu filho e outras coisas. E ele vive em nessa pequena e ótima cabana, é muito bom gosto!“

***

É fácil esquecer que Pattinson não chegou à sua extrema fama pouco a pouco – ele mergulhou nisso. Imagine como isso é.

Você é um garoto de 15 anos no sudoeste de Londres, atuando na companhia de teatro local, porque é aí que as meninas vão. Sua mãe trabalha numa agência de modelos, seu pai vende carros antigos, e você gostaria de ser um cantor, lá no fundo, e você faria uma banda chamada Bad Girls. Mesmo depois de conseguir um papel em Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005), você ainda não está negociando trabalhos. Talvez discursos político sejam mais sua praia? Mas sua agente convenceu ele a ir para Los Angeles para fazer um teste de um trabalho chamado Post Grad (2009), então você vai e fica em sua casa, tenta o papel, e quando você não consegue isso, você está esmagado. Você tem 21 e parece que sua carreira já acabou.

Quando sua agente traz este outro teste, você diz muito bem, que seja, ninguém está contratando você. É um filme de vampiro e a diretora já viu 5.000 garotos. Além disso: você é muito velho. Mas quem sabe, talvez ele seja como outro filme da diretora, Aos Treze, que era um indie muito legal.

E foi isso – última chance em um minuto, a Bieber fever no próximo. Você ficou mais ou menos o mesmo, mas o mundo ao seu redor mudou para sempre.

“Eu me lembro quando isso aconteceu”, diz ele. “Eu estava indo para clubes em LA e você tinha que ligar para os promotores antes do tempo para entrar na lista de convidados. Mas uma vez que eu esqueci de ligar, e eu estava na lista de qualquer maneira. Foi quando eu soube. Eu apareci com mostarda na minha camiseta e eles tipo me dão uma piscadela, ‘Sim, cara, você está na lista.’”

E a partir daí começou a loucura – a constante de gritos, a perseguição por parte da imprensa, a dramática perda de privacidade. Namorar Kristen Stewart não exatamente ajudou. O público de Crepúsculo já estava tendo problemas em separar a fantasia da realidade, e aqui foi uma novela da vida real para confundi-los ainda mais. Você conhece a parte suculenta, como Stewart teve um caso (com o diretor Rupert Sanders, em julho de 2012), como os tablóides foram bananas. Em Conan, Will Ferrell quebrou o silêncio e expressou os sentimentos de um milhão de Twihards: “Ela é uma trampire (uma vampira vagabunda)!”

Como todas as coisas de Crepúsculo, toda a saga K-Stew/R-Patz estava terrivelmente queimada. Não é incomum para colegas de elenco namorarem – os dois estavam vivendo e trabalhando em uma bolha estranha por muitos anos, ambos sob o intenso escrutínio obsessivo. E em seguida, acabou em traição.

“Merdas acontecem, sabe?”, ele ri. “São apenas os jovens… é normal! E sinceramente, quem se importa?”

Bem, um monte de gente, o que é estranho.

“A parte mais difícil foi falar sobre isso depois. Porque quando você fala sobre outras pessoas, isso os afeta de maneiras que não podemos prever “, diz ele. “É como aquela cena em Doubt [2008, em que Philip Seymour Hoffman interpreta um padre suspeito de um comportamento inadequado], onde ele está falando sobre como retirar a fofoca? Eles jogam todas as penas de um travesseiro para o céu e você tem que ir e recolher todas as penas.”

***

Alguns sentem pena de Pattinson pela forma como a fama deformou sua vida. Assumimos que a fama danifica as pessoas, especialmente os jovens, então Pattinson certamente deve estar sofrendo.

Mas ele não está. Não realmente. Ele sempre viu a sua experiência como surreal e não sobre ele absolutamente. Há uma resistência sobre ele, que não é imediatamente aparente, seus episódios nervosos, não obstante. Ele surgiu a partir da zona de Crepúsculo, como observador divertido de sua própria experiência, igualmente praticada em desviar a adoração e seu oposto. Embora nem sempre foi fácil, não foi tão difícil também. “Houve um tempo, há três anos, quando eu não sabia onde morar, onde eu não estaria preso em minha casa, sabe? Mas eu trabalhei isso. Não é um grande negócio no final. Metade disso está na sua cabeça.”

Ele tem uma resiliência muito inglesa. Ele não buscou a reabilitação ou terapeutas para ajudá-lo em seu caminho. Seu próprio controle é muito certo. “Eu sei o que me faz feliz, se eu estou me sentindo para baixo”, ele sorri. “Fazer coisas que fazem inveja aos seus amigos. Isso realmente funciona!” ele ri. “Eu acabei de dizer, ‘Eu estou trabalhando com David Cronenberg’, e eles ficam, ‘Ah, sério?’ eu amo isso.”

Seus amigos podem muito bem ficar com ciúmes dos elogios que ele está recebendo por The Rover agora. É, sem dúvida, o sua melhor performance, e ele responde aos críticos que o chamaram de inexpressivo. Ele pode ser um minimalista na vida real – que vive em um quarto individual em uma casa sem móveis, meditando e curtindo seu tempo sozinho – mas como ator, ele está se abrindo.

Pattinson interpreta um homem que foi deixado para morrer por seu irmão na Austrália pós-apocaliptica. O irmão rouba o carro de Guy Pearce, e Pattinson se junta com Pearce para recuperar seu carro e para descobrir por que ele tinha sido abandonado. Seu personagem é claramente de alguma forma danificado. No filme, Pearce pede a ele: “O que você é, um imbecil?” Pattinson é todo tiques e gaguejo, um olhar fraco, confuso em seus olhos. Ele não pode ser completamente retardado, mas ele está no caminho, não é?

“Isso não é como eu pensava sobre ele”, diz ele. Ele viu seu personagem como alguém que tinha sido severamente intimidado, como uma esposa maltratada que continuou voltando para seu agressor. “Ele tem zero de autoestima, ele acaba de ser tão criticado, que cada vez que ele começa a falar, ele está com medo de que alguém vai pará-lo.”

A localização foi épica: nove horas ao norte de Adelaide, no meio do nada, a 150 quilômetros da próxima cidade. Os dois atores viviam em contêineres antigos equipados com janelas e cheio de moscas, em uma aldeia de apenas 50 pessoas. Temperaturas rotineiramente subiam para 49ºC. E os cangurus estavam tão acostumados a ver os veículos que eles muitas vezes apenas saltavam na frente deles. “Metade da tripulação teria, tipo, sangue espalhado por todo seus carros”, diz ele. “É perigoso. Se eles saltam em seu para-brisas, eles vão enlouquecer e chutar até a morte dentro de seu carro.”

Ele adorou lá. David Michôd disse ao LA Times: “Eu não acho que eu já vi um ator tão feliz como quando eu vi Rob descendo a rua em direção a mim, sozinho. Ele estava praticamente pulando.” Ninguém o conhecia lá. Ele poderia ir a qualquer lugar que queria. O interior lhe convinha perfeitamente, e ele ainda sente falta do isolamento. “Eu esqueço o que a língua indígena é, mas não há nenhuma palavra para ‘ontem’ ou ‘amanhã’. E havia esse cara, que tinha acabado de sentar, coberto de moscas, o dia inteiro, esperando para ser chamado para o set. Nenhum comentário, nada. Há uma tranquilidade que você consegue lá. Quero dizer que não há nada para fazer de qualquer maneira. Não é como se você tivesse que atravessar a cidade para um encontro!”

Nós nos sentamos por um momento e ouvimos os pássaros. Tem sido um bom almoço. Ele terminou o peixe e se serviu de cervejas – três cada, o que não é ruim, especialmente nesta cidade. Não é o interior, mas é tranquilo aqui. E ele gosta de um pouco de silêncio. Pattinson, o minimalista. Pergunto-lhe se ele teve algum episódio nervoso sobre The Rover, seu desempenho mais aberto e vulnerável ainda. É claro que não houve falta de suor, fazia 49ºC. Ele pensa por um minuto. “Não”.

E o seu telefone toca. “Desculpe, pode ser minha…” E uma voz diz em voz alta: “OK, amigo, é hora de ir.” E ele ri. “Eu tenho que atravessar a cidade para uma reunião.”

Tradução: Milla Correa

One thought on “Robert Pattinson para a revista Esquire: Fotos + Entrevista traduzida

  1. Fascinada por este homem tão cheio de peculiaridades e que sempre tem um foco tão nítido. Acabei de ver Cosmopolis no Telecine Play e como não sou uma criatura letrada em cinema cult, lutei para acompanhar, e me envolver. Não fui muito sucedida, mas isso não importa, é só a primeira vez. Talvez seja por isso que eu o admiro, porque ele está continuamente me forçando a conhecer coisas novas em seus trabalhos. Isso me encanta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.