Robert fala sobre seu novo filme e relação com os fotógrafos para a The Scotsman

Em nova entrevista com a The Scotsman, Robert falou sobre seu novo filme, Life, sua relação com fotógrafos e mais. Confira à seguir a entrevista transcrita pela nossa equipe:


SCANS > INTERNACIONAIS > 2015 > SETEMBRO 2015 – THE SCOTSMAN

Você consegue imaginar dizer para um fotógrafo, “Eu quero que você passa a semana inteira saindo comigo.”? Eu não sei se eu consigo fazer justiça à Expressão facial de Rob Pattinson ouvindo a essa pergunta mas eu tenho uma chance. Tudo começa com o choque (suas sobrancelhas desaparecem sobre a borda do seu boné), sutilmente seguido pela confusão (ele esfrega sua barba enquanto as sobrancelhas reaparecem) seguido por um balançada de cabeça e um sorriso torto. “Eu lembro de uma das primeiras entrevista que eu dei,” ele diz “Eu era completamente louco. Nós fomos a um bar e ficamos lá por anos.” Ele balança a cabeça. “Eu só fiz isso uma vez, foi logo depois do primeiro filme da Saga sair. To pensando em fazer isso agora.” Ele balança a cabeça “Tem algo sobre sua estreia, as pessoas querem ser simpáticas com você, ninguém realmente quer fazer uma parceria com você na primeira vez que você faz algo. Isso vem mais tarde.” Ele gira seu copo de café. “Ou levar alguém a sua casa,” ele diz enquanto balança sua cabeça. “É insano. O mundo mudou muito.” Você talvez diga.

Eu perguntei a Pattinson, uma vez Edward Cullen, o mais cobiçado vampiro desde então, bem, desde sempre, agora um ator com filmes interessantes de baixo de seu cinto, por causa do seu novo filme Life, Pattinson interpreta Dennis Stock, um fotógrafo Magnum que é contratado da revista Life Magazine, para fotografar James Dean nos meses antes dele estourar e se tornar uma estrela de cinema e depois um ícone consubstanciado pelo aforismo do viver rápido, morrer jovem.

Stock tinha 26 anos quando conheceu Dean, de 23 anos. Eles eram o oposto – um jovem homem que ao mesmo tempo parecia velho, o outro, apenas um pouco mais jovem que parecia quase uma criança, um espírito livre. Stock é abotoado e fixado no chão, ele tem um casamento em crise e atrás dele um filho com qual ele quase não tem nenhum tipo de relação. Ele não cobra muito por suas fotos de estrelas de cinema (dependendo dos dias) e não se leva a serio como artista. Quando ele conhece Dean, caótico, talentoso e imprevisível, Stock instantaneamente se da conta que ele é mais do que qualquer um. Eventualmente Dean convida o fotógrafo para passar uma semana com ele em uma viagem até uma fazenda em Indiana onde Dean cresceu. Stock senta com sua família na mesa de jantar, e tira fotos de Dean brincando com bongos e lendo histórias para seus primos. É um tipo de acesso sem restrições que agora é totalmente inimaginável. E Pattinson deveria saber.

O ator está em uma posição oposta. Tem sido uma estrela global, um galã. É isso que acontece quando você tem bochechas altas, e um rosto de uma franquia de 5 filmes de sucesso. Mas desde que ele escapou da imortalidade ele industrialmente se encaixou criando um tipo diferente de carreira. E está funcionando também. Mais cedo esse mês, ele foi um dos beneficiários (Além da Elizabeth Olsen) do Deauville American Film Festival, a estrela brilhante ganhou um premio por seu filme Life. Isso não foi tão ruim para alguém cujo a carreira foi lançada por um papel em um grande estúdio. E também não é ruim para alguém que parecia, como eu me lembrava desde a ultima vez que o entrevistei, que tivesse acidentalmente saído de um parque de skate e se encontrado no centro de um filme de uma franquia multi-milhonária. Na verdade, ele continua um pouco skatista (boné, camisa branca e uma jaqueta preta de baseball sobre a blusa e uma calça jeans escura e botas) mas agora é menos autoconsciente do que era antes. No hotel de LA ele pediu uma banana para acompanhar suas panquecas que custaram 8 dólares, Pattinson tinha buracos em sua camisa. Então ele deveria se sentir orgulhoso de si mesmo ao transmitir com sucesso a transição de algo que nunca pareceu muito confortável nele, em algo que ficou?

“Eu ainda não sei se tivesse sucesso fazendo isso,” ele diz com sua boca cheia de biscoitos e café. “Eu acho que é sorte. Eu não tenho uma ideia especifica do que eu quero fazer. Como antes, agora, eu não gosto muito de nada. As coisas que eu faço essencialmente são as únicas coisas que eu gosto. Então não tem nenhum plano de carreira. Eu ainda tenho que fazer algo em que me agarrar, eu quero fazer meu primeiro filme. Eu não sei se é medo ou o que, mas nunca sai da minha cabeça que eu tenho, tipo, eu realmente quero fazer uma promoção do filme massiva. Eu iria amar fazer esse tipo de coisa para sempre. Você sabe, você nunca vai se arrepender de fazer.”

Quando Stock viajou de volta para Indiana com Dean para fotografar ele na fazenda da família, a ideia era capturar um jovem ator antes de se tornar uma estrela. East Of Eaden ia estrear, Rebel With A Cause realmente aconteceu e Dean estava prestes a ser parte do elenco de Giant, seu ultimo papel. Foi apenas alguns meses depois, quando Dean continuava com apenas 24 anos, que ele bateu seu Porshe e morreu. E então as fotografias e Stock se tornaram algo a mais, um tipo de vislumbre de intimidade – Dean nunca mais foi a casa de sua família novamente. Eles também sinalizaram um novo tipo de estrela de cinema, brilhando na Times Square na chuva pesada, seu colarinho levantado, aquele cabelo que era um ícone, plissado e despenhado. “Dennis realmente ressentiu que ele foi conhecido por essa fotos pelo resto de sua vida.” Pattinson diz “Era como se nada conseguisse o deixar feliz. Mas que vida terrível quando nada te faz feliz.”

O contraste entre a ultima vez que vi Pattinson não podia ser mais evidente. Antes, ele era sequestrado para uma suíte no Four Season em Los Angeles. Tinham seguranças no elevadores, milhares de mulheres usando fones de ouvidos caminhando ao longo dos corredores de tapete felpudo. Todas elas olhavam como se tivessem uma bala e Pattinson fosse um coelho em mira. Ele era retraído e não conseguia relaxar. Em uma manhã ensolarada no leste de Londres, a atmosfera não poderia ser mais diferente. Quando eu cheguei ao clube privado onde nos encontraríamos, eu faço uma procura rápida sobre aonde eu estaria indo. O que eu não esperava era ver Pattinson sentando no canto do bar ao lado da sua namorada (cantora, FKA Twigs) terminando seu café-da-manhã à procura de todo o mundo como o seu par de coisas jovens num clube jovem. Não há nenhuma comitiva. Ninguem está prestando atenção neles. Popstar e uma estrela de cinema sentados no canto. Eu posso soar um pouco absurdo, ou paternalista talvez, mas eu me senti satisfeita por ele. Eu lembrei do sentimento que tive quando sai do hotel em LA depois de falar com Pattinson. Foi como se eu pudesse respirar de novo. E eu estava lá por tipo uma hora. Pattinson viveu assim. Como uma metade do mais escrutinadas relações do mundo – ele saia com a sua co estrela nos filmes de Twilight, Kristen Stewart – a vida de Pattinson foi dificilmente sua. Todo lugar que ele ia ele era fotografado. Até nos sets de filmes que ele trabalhava era lotado de fãs. Ele teve que se mudar de sua casa para se livrar dos paparazzi e dos fãs e viveu em quartos de hotel com as cortinas fechadas. Eu sei que as dificuldades de ser uma estrela de cinema não são as mesmas de passar 12 horas como call Center, mas parece uma existência muito onipresente. “Eu estou muito mais estabelecido,” ele diz, “eu me mudei de volta para Londres. Todas as coisas que me deixavam nervoso em LA apenas não existem em Londres. E eu ia me mudar para NY por um tempo.” Por que tudo isso? “ Basicamente por causa dos paparazzi. Mas é realmente pelo medo de ter sua liberdade sendo invadida. Apenas a ideia de ter sempre alguém fora da sua casa e mesmo se não tiver, é o seu primeiro pensamento pela manhã. Eu continuo tendo um pouco aqui, mas eu não tento esconder. Eu não sei, talvez seja a barba também.” Ele ri “Eu espero que eu desapareça gradualmente. É tão estranho depois de anos e anos e anos, você volta para Londres e parece que tá tudo ok. Eu estou sempre batendo na madeira.”

De um modo, você talvez pense que ter interpretado Dean talvez tenha sido o papel perfeito para um homem com experiências como Pattinson, mas não foi para ele. Foi a relação entre Stock e seu filho que fascinou Pattinson. Ele é um homem em um vinculo. E é isso o que Pattinson gosta nele.

“Eu gosto que Denis – eu não sei muito sobre como funciona ao decorrer do filme – mas ele se esquiva das responsabilidades um pouco demais e usa ‘eu estou tentando ser um artista’ como desculpa” ele diz “e depois quando ele está com Jimmy e não consegue se deixar ser livre ele usa seu filho como desculpa de novo. É horrível.”

O mais estranho, o laço entre o filho e o pai é que intrigou Pattinson. Ele realmente queria interpretar nas telas. O desconforto do tempo que eles passaram juntos é palpável e horrivelmente triste e talvez tenha sido que fez Stock sentir como se pudesse ser melhor. Não foi isso que Pattinson achou no roteiro, não o que ele aprendeu com o filho de Stock. “A coisa que eu gostei na história em primeiro lugar, foi o questionamento, o que você faria se tivesse um filho e você não a amasse? Acontece. Não é como se você não ligasse, o destrói mas ele é incapaz de sentir qualquer empatia para amar essa criança. Ele não consegue. Ele é apenas muito obcecado com sigo mesmo.”

Pattinson passou tempo com o filho de Stock, Rodney, e claramente formou-se uma impressão dele “Eu acho que ele encontrou seu pai umas 10 vezes em sua vida toda.” Ele diz. “Ele foi dado a pais adotivos diferentes. É horrível, absolutamente horrível. Quando você vê as entrevistas de Stock, ele acha consolo em sua arte e isso me fez pensar que tem que ter uma maneira de achar simpatia por alguém como assim, alguém por em que essa é a sua situação.”

Ele entende – será que ele sente isso por seu trabalho?

“Eu acho que não,” ele diz “Não. Eu não sei, talvez eu tenha filhos e pense, onde estão aqueles pais adotivos? Para quem eu ligo?” ele ri.

Life, Maps to the stars, o olhar fervilhante de David Cronenberg sobre Hollywood em qual Pattinson interpretou um motorista de limousine, Jerome Fontana, é sobre a industria de Pattinson mas não sobre a perspectiva do ator, é uma pequena simultânea dentro desse mundo mas querendo estar do lado de fora. “Nos temos de industria, eu não sei,” ele diz “ é estranho porque Anton (Corbjin) realmente acha que é um filme sobre fotógrafo e fotografia. Eu nunca estive interessando em fotografia, mas para mim toda a coisa sobre o filho. É muito raro ver um pai que não ama seu filho. Eu achei isso fascinante.”

E desconfortável.

“Eu sei, mas acontece. Eu digo para meus amigos que tem filhos e é essa coisa realmente especial com os meninos e eles ficam tipo, apenas tive um bebê, um bebê que chora.” Ele balança a cabeça. “eles precisam desenvolver uma relação e algumas vezes não acontece. E você não pode contar sobre isso para ninguém – Dennis não podia falar disso com ninguém – Eu quero dizer, como você pode dizer ‘ Eu tive um filho e eu não gostei.’ Todo mundo vai ficar chocado com você. Você vai ser visto como um monstro. Mas não é necessariamente isso, pode ser o fato que você apenas não saber o que fazer.”

Pattinson está desenhado lá fora, solitário, junto as pessoas que não se encaixam. São as coisas difíceis que agarram ele. Ele tem pensamentos sobre como seria ter filhos?

“Eu acho que a coisa toda com atuar é que há vários tipos de trabalho onde você passa o tempo respondendo questões de como eu me simpatizo?” ele diz esquivando-se da pergunta “mesmo falando com Rodney sobre isso, tentando me aproximar do seu ponto de vista, assim que eu disse, ele estava tentando entender as coisas sobre como era sua relação com seu pai. Nós estávamos falando sobre um papel fictício e tentando descobrir a verdade nisso, de um jeito estranho foi um exercício de terapia.”

Pattinson não mudou realmente desde de a ultima vez que nos falamos. Ele apenas parece mais confortável na sua própria pele. Ele continua infalivelmente educado. Ele continua com o ar de um bom menino do leste de Londres que apenas acabou fazendo filmes. O que me faz pensar no Dean do filme, outro peixe fora d’água. É claro que desde o inicio ele não vai jogar o jogo. Ele está desiludido como o ramo dos filmes antes mesmo de começar sua carreira. Ele senta em sei apartamento em NY tocando seu bongo olhando para seu smoking pendurado sobre um prego na parede e você apenas sabe que ele não vai a estreia de East Of Eaden. “Ele não foi.” Diz Pattinson, “Foi meio que incrível ele não ter ido. Sua primeira Premiere. As bolas” ele ri “isso é tão impressionante. É a coisa mais foda que você poderia fazer, ele realmente esta colocando seu dinheiro onde sua boca está de varias maneiras todo mundo reclama sobre fazer press conference e o que for, mas quando você realmente quer dizer isso e joga todas as suas chances fora? Wow”

Eu não posso imagina-lo fazendo algo parecido com isso. Ele é muito dócil, muito leve, educado

“Há sempre, ocasionalmente, pessoas que tem permissão de se safar desse tipo de coisa, mas eu sempre senti que se eu fosse fazer isso (não ir as premieres, etc) ia ser ruim. Muito ruim.” Ele ri.

Life estará nos cinemas a partir do dia 25.

Tradução: Gabi Araujo

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