Rob: “Minha única técnica é correr até um penhasco e pular dele.”

Como já informamos algumas vezes, nossa equipe está sempre em busca de artigos e fotos que não foram publicados no site. O artigo de hoje, é um desses casos. A edição dessa revista Backstage foi em dezembro de 2019 e nela constam informações, como o caso de The Batman, que sofreram modificações por conta da pandemia de Covid-19. Leiam a seguir, a tradução do artigo feita por nossa equipe.

“Se você está para fazer uma cena e acaba sendo atropelado por um carro, você vai interpretar isso de uma maneira totalmente diferente”, diz Robert Pattinson entre goles de café e tragadas discretas em um cigarro eletrônico.

O estúdio fotográfico de Midtown onde nos encontramos foi liberado; ele não estava muito empolgado em fazer uma entrevista enquanto as pessoas, até mesmo seu próprio pessoal, estava ao redor, conversando e escutando o que ele tinha para dizer.

Nós estamos falando sobre atuar em uma tarde de novembro (em 2019), o que é, aparentemente, um dos vários tópicos que o ator de 33 anos sente que precisa ser cuidados sobre, quando conversa com um jornalista. “Minha experiência com a mídia por anos foi, tipo, uma frase de efeito em três minutos. Então, se você tenta falar de atuação de uma forma séria, soa como um idiota” ele explica. “E também, nunca se sabe; Se alguém está lendo a isso e não gosta do seu trabalho, você pode, de repente, parecer um idiota. ‘Eu estava fazendo isso e pensando sobre aquilo ao mesmo tempo’. E eles vão ficar tipo “O que quer que seja que você está fazendo, é uma merda!”

Até onde eu sei, Pattinson nunca foi atingido por um carro – não em seu dia-a-dia e, certamente, não antes de rodar uma cena em nenhum dos 28 filmes que ele aparece, desde 2004. Entretanto, supostamente, ele foi a outros extremos para entrar no personagem do diretor Robert Eggers em “O Farol”; No filme preto e branco de terror psicológico, Pattinson atua junto de Willem Dafoe, como um faroleiro do século 19 que, lentamente, perde a cabeça. Uma matéria recente no New York Times, menciona que Pattinson se amordaçava e se estapeava no rosto antes das câmeras começarem a rodar. Ele não nega a informação; “Eu acho que Willem disse em uma entrevista que eu meio que tento me “afogar” em cada cena, mas eu meio que gosto!” Robert completa.

O objetivo, ele continua, é colocar seu corpo em um estado reativo – agindo, como o clichê diz, e reagindo. “Minha única técnica é correr até um penhasco e pular dele.” Pattinson conta “Algumas vezes isso não funciona, e só te faz parecer um maluco. Mas, às vezes, isso te faz parar de pensar, o que é minha parte favorita!”

“O Farol” é um exemplo do qual o método não convencional deu certo. A performance de Pattinson já o garantiu a nomeação para o Independent Spirit Award como ator principal, o que, por sua vez, acaba trazendo uma agitação adicional – até mesmo para a perspectiva de ser um azarão para o Oscar. E Pattinson se comprometeu, corajosamente, para a temporada de prêmios, aparições na mídia e entrevista – o que nos trás hoje para esse estúdio de Nova York.

O ator admite que nunca teve nenhum treinamento formal no ofício. Tendo crescido num bairro nobre de Londres, Barnes, seu interesse por teatro foi prematuramente desencorajado. “Minha professora de drama disse; ‘Não faça isso. Não é para você!’. Eu não fiz audições para nenhuma peça na minha escola, porque eu fiquei envergonhado.” Mas, como um adolescente, ele descobriu a Companhia de Teatro de Barnes, onde ele trabalhou nos bastidores antes de ser escalado como um dançarino cubano na produção de “Guys and Dolls”. Com alguns dos membros da companhia para “18 anos ou menos” ficando mais velhos e saindo, Pattinson conseguiu o papel principal na peça “Our Town”; “Eu era apenas a pessoa que acabou sendo alta o suficiente para o papel de George Gibbs”.

Depois, como um jovem ator lutando por seu espaço em Londres, Pattinson colocou suas mãos em uma cópia de “How to Stop Acting” do coah Harold Guskin; “O único livro de atuação que eu já li!”. Ele se tornou obsecado com a filosofia de Guskin de que “O trabalho do ator não é criar um personagem, mas ser contínua e pessoalmente responsivo ao texto.”

Guskin, que contava com Glenn Close e James Gandolfini entre seus estudantes, rejeitava o aspecto mais rídigo e cerebral do sistema de Stanislavsky, preferindo um método mais instintivo; “Um personagem não é uma imagem pintada do que o ator, ou diretor, pensa que o personagem deve ser. O personagem é uma pessoa real. E assim o ator deve ser: completamente pessoal, assim a audiência verá algo real, um humano respirando na frente deles” dizia a introdução de seu livro. “Minha resposta pessoal a esse texto, talvez seja chamada de interpretação pelos críticos e a leitores depois de ter visto isso. Mas, para mim, é simplesmente minha resposta ao diálogo e ação. É por isso é tão crível quanto criativo.”

Naquele tempo, Pattinson morava com um amigo ator, Tom Sturridge – o filho do diretor de televisão Charles Sturridge e da atriz Phoebe Nicholls -, e conversava com Eddie Redmayne; “Todos nós queríamos nos ajudar a ser melhores” Pattinson relembra “Então você passa três dias trabalhando em fitas de audições com outro ator. Todos tinham muita paciência um com o outro. Eu acho que, de certa forma, era como ir a uma escola de teatro.”

Conhecer uma comunidade de atores foi essencial para superar aqueles primeiros dias brutais. “Quando você tem esse apoio, mesmo quando você falha em um milhão de audições, parece que não machuca tanto, porque você pode sair com seus amigos depois. Nós todos íamos a bares e pensávamos “Ugh, isso foi um desastre!” Isso tornava os golpes um pouco mais suaves”, Pattinson diz.

Os três se mantém amigos até os dias de hoje; Sturridge e Redmayne estiveram presentes na noite anterior à nossa entrevista, para uma exibição especial de “O Farol” no Crosby Street Hotel em Nova York. Redmayne apresentou o filme, mencionando que Pattinson é um dos maiores cineastas que ele já conheceu. “Quando eu conheci Eddie, é assim que eu e Tom costumávamos chamá-lo” Pattinson afirma “Foi mais ou menos quando a Criterion estava se expandindo. Nós gastávamos todo nosso dinheiro em DVD’s e assistíamos filmes durante todo o dia, por anos.”

O que ele aprendeu com todos aqueles filmes clássicos, ao que parece, foi menos sobre atuação e mais sobre gosto.É essencial, Pattinson descobriu, trabalhar com pessoas cujos gostos são parecidos com os seus, e a única maneira de refinar seu gosto, para descobrir o que você gosta e o que não gosta, é absorvendo o trabalho dos outros. “Você pode ser incrível em alguma coisa, mas se o diretor, editor (e) todo o resto for horrível, você vai parecer péssimo de qualquer forma. Se você não confiar na visão do diretor, você está, subconscientemente, tentando tirar o controle deles e você está apenas sabotando o filme. Mas se você se inscreve para algo, pensando, ‘eu sei, eu acredito nesse cara’, então você se compromete com sua atuação. E é muito mais fácil se comprometer com coisas que você confia.” Explica “É o único jeito: para realmente saber o que você gosta. Agora, eu vou trabalhar somente com pessoas de quem eu tenha visto algo (vindo deles) que realmente me afetou.”

É claro que Pattinson pode se dar a esse luxo agora. Tendo interpretado o temperamental vampiro adolescente, Edward Cullen na franquia “Crepúsculo”, o transformou em uma estrela de cinema, um galã adolescente, um objeto de fascínio para tabloides, e o rosto da Dior Homme; em outras palavras, uma celebridade. O tipo de ator que, digamos, é escalado para interpretar o Batman. (Aliás, ele está partindo de Nova York para a pré-produção da versão do diretor Matt Reeves, previsto para 2021)*.

Contudo, uma coisa engraçada aconteceu entre “Crepúsculo” e “The Batman”; Pattinson fez sua aparição em papéis menores em filmes independentes, desde que conseguiu seu status de estrela de cinema. Ele assumiu riscos calculados; mesmo quando os filmes não causaram muito impacto, as performances de Pattinson se destacaram.

Mas aqui está o principal: ele realmente não diferencia sua opinião entre um vampiro adolescente apaixonado, um faroleiro psicótico e, no caso de “O Rei”, filme deste 2019, um príncipe francês do século 15 quase caricaturalmente pretensioso.

“Eu os abordo quase, exatamente, da mesma forma em minha cabeça”, insiste. Robert assistiu a um dos filmes de “Crepúsculo” na TV, não muito tempo atrás – as chances que um deles esteja no ar em um canal a cabo agora mesmo -, e foi atingido por uma cena na qual seu personagem pede Kristen Stewart em casamento. “Eu fiquei tipo, isso foi muito bom! Quero dizer, a quantidade de esforço que eu coloquei nesse filme… Eu coloquei muito nisso”.

Quando está se preparando para um papel, ele está procurando pela frase, pelo momento ou pela cena que realmente o atingem. Geralmente, isso será algo que o fará rir, ou algo que parece audacioso, ou, porque ele se identifica como um tanto imaturo, algo que será um pouco travesso. Então ele construirá o personagem desse ponto, dessa energia.

“Até onde sei, parece que, às vezes que você é bom em algo são aquelas em que você consegue se fazer interessar pelo o que está fazendo entre o “ação” e “corta”. Há algo acontecendo em seus olhos. Se você está apenas tentando fazer uma cena, parece que não tem nada acontecendo. E então, se você está tentando tirar proveito de tudo em sua vida para aquele momento, está genuinamente interessado naquela cena, tentando descobrir maneiras de se conectar com o personagem, eu acho que é isso que o torna um pouco mais vivo”, Pattinson completa.

Lá fora, o céu está nublado, a tarde se transformando em um crepúsculo prematuro. A luz do estúdio está diminuindo, mas nenhum de nós se dá ao trabalho de procurar um interruptor de luz; Nosso tempo juntos está acabando. Para encerrar, eu pergunto a Pattinson sobre a pergunta mais comum que ele recebe de aspirantes a atores; “Muitas pessoas me perguntam como conseguir um agente!”.

Mas não é isso que eles deveriam estar procurar, Robert diz. Ao invés, eles deveriam estar à procura de outros promissores, como eles mesmos, especialmente novos diretores que estão fazendo um trabalho emocionante. “Você pode encontrar alguém fazendo coisas no YouTube, e tipo, “Eles estão fazendo trabalhos muito bons!” E se você encontra aquela pessoa antes de outros, você será aquela pessoa junto de um diretor promissor. E (então) você terá uma carreira depois”, Pattinson insiste. “Procurando por coisas diferentes, de repente, você se dá conta do que pode fazer. Se você está pensando em um jeito de descobrir como atuar somente indo em audições e etc, ou tentando conseguir um agente, todo mundo estará te dizendo, constantemente, “não” sobre tudo. E o que realmente vai funcionar será algo a que todos já disseram não mil vezes!”.

*The Batman teve data alterada para 04 de março de 2022.

Com esse artigo, foram divulgadas, no final do ano passado, fotos desse photoshoot e que estão em nossa galeria! Veja a seguir:


PHOTOSHOOTS > 2019 > BACKSTAGE MAGAZINE

Fonte | Tradução: Reh Cegan

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.

De volta ao topo