Rob entrevista Jamie Bell na ultima edição da Interview Magazine

Quando com apenas 13 anos, Jamie Bell foi de encontro ao estrelato com o seu primeiro papel nos cinemas em 2000 em “Billy Elliot”, o jovem dançarino do Nordeste da Inglaterra não tinha ideia do que estava por vir. Nos 15 anos seguintes, Bell cresceu tanto e silenciosamente acumulou uma série de trabalho muito maduros, em parceria com alguns dos diretores mais inventivos no ramo, de Steven Spielberg (The Adventures of Tintin, 2011), Clint Eastwood (Flags of Our Fathers, 2006), e Peter Jackson (King Kong, 2005) para Cary Joji Fukunaga (Jane Eyre, 2011), entre outros.

Mais tarde, Bell cresceu e ficou mais ousado, interpretando um rebelde em um pós-apocalíptico suspense de Bong Joon-de ho em 2013, e no mesmo ano, fazendo comédia de humor negro como um policial de drogado em Filth, adaptado do romance Irvine Welsh. No ano passado, Lars von Trier escalou o ator para explorar seu lado dominante como um sadista de aluguel com Charlotte Gainsbourg em Nymphomaniac: Volume II; e Bell também se interessou no prestigiado drama de TV, com AMC o suspense de espionagem da Guerra Revolucionária Turn: Spies of Washington, que ganhou recentemente a sua segunda temporada.

Este mês, Bell, 29, está totalmente de super-herói, como o enorme guerreiro do rock Ben Grimm ou Thing, no novo filme do Quarteto Fantástico de Josh Trank, com Miles Teller, Kate Mara, e Michael B. Jordan. Mas, como ele diz a seu amigo e companheiro inglês, Robert Pattinson, não é sempre tão claro ligar os pontos espalhados, de toda a carreira de Bell em Hollywood.

BELL: Como vai, companheiro?
PATTINSON: Eu estou bem. Eu passei o dia me preparando para essa entrevista.
BELL: Eu passei fodendo a Charlie Rose. (Os dois riem)

PATTINSON: Não vamos falar sobre nenhum dos seus trabalhos. Vamos falar sobre sua vida pessoal. Seu uso de crack. Quem você ta fodendo?! Okay?! Qual é a sua lembrança mais antiga?
BELL: Essa é uma boa pergunta. Eu não tenho uma. Minha memória é vaga pra caralho quando se trata de quando eu era criança. Lembro-me de ter tido um Batmóvel. Era uma réplica dos filmes do Tim Burton, e ele lançava mísseis amarelos. Lembro-me de que não havia muito sol no nordeste da Inglaterra. Então, houve um dia histórico em que, aparentemente, foi ensolarado, e minha mãe estava lá fora em uma cadeira de praia ou algo assim. Lembro-me de disparar e o míssil e bater no pé dela. Isso é o máximo que me lembro. Eu nem sei quantos anos eu tinha. Depois disso, foi basicamente só a barra de balé; em todo o resto (das memórias) eu estou vestindo calças. Lembro-me de brincar casa da minha avó. Minha irmã estava sempre na aula de dança e outras coisas, então eu ficava muito com a minha avó, colhendo legumes. Meu avô faz vinho, então eu provava o vinho ocasionalmente, quando ninguém estava olhando.

PATTINSON: Onde você se apresentava? Você era um “garoto dramatico”?
BELL: Eu comecei a dançar quando eu tinha 6 anos, foi ai que tudo veio para mim, eu acho. Eu fiz parte de um monte de peças de teatro da escola. Eu me apresentei em locais como Billingham e em Middlesbrough. Para mim, foi surpreendente. Depois disso, eu fui para o National Youth Music Theatre. Há uma canção do Pinóquio, [1940], “é uma vida de ator para mim.” Eu não tinha ideia de que a música significava; Eu só me lembro da melodia e de pensar: “Ah, isso é uma merda de música legal. Eu não sei o que é ser um ator.” Então eu descobri o que era ser um ator. Eu estava tipo, “Oh, espere! Você tem que ser outra pessoa o tempo todo!” Isso era intrigante. Mas, sim, eu era um pirralho no teatro quando criança. Eu sabia todas as palavras para Les Mis e toda essa merda.

PATTINSON: Billy Elliot pareceu ser um grande filme quando você o fez?
BELL: Pareceu para mim, porque foi meu primeiro. Eu não tinha referencia. Era como se o circo tivesse chegado a cidade e um centena de membros da equipe estava na rua esperando que você fizesse algo. Mas eu acho que, para qualquer um, os produtores e a equipe, eu era um tipo de mini-filme do qual eles não esperavam muito. Agora pensando nisso, foi realmente um filme pequeno, com uma equipe pequena, muito contido. E o que aconteceu depois disso foi apenas uma loucura. Mudou tudo.

PATTINSON: Quando você começou a fazer filmes pra America?
BELL: Eu comecei a vir pra com 17, 18 anos. Eu fiz Billy Elliot, e depois tive que terminar a escola, e depois tudo foi adiante tão rapidamente que quando eu voltei pra cá, todo mundo já tinha esquecido o que eu tinha feito ou quem eu era. Obviamente eu mudei também. Eu não tinha mais 13 anos. Eu era só um adolescente, eu era aquele garoto miudinho sentando na porta do escritório de um executivo e ele estava tipo “Quem é esse garoto?” [risos] “Por que ele está no meu escritório?”.

PATTINSON: Você era um ator mirim então, mas você parecia ter uma incrível e especifica ideia do que você queria interpretar. Olhando para sua cronologia dos seus filmes, todos eles são papeis interessante. Tem filmes que eu escolheria para assistir agora, como Dear Wendy [2005]. Qual era o seu processo de pensamento quando escolhia papeis após Billy Elliot?
BELL: Eu não tinha nenhum processo de pensamento. Eu apenas tinha pessoas, representantes sábios, que só tinham um gosto melhor do que o meu. [Risos] Eu tive o mesmo empresário por 16 anos. Eu tive o mesmo agente por 15 anos. Eles sempre tiveram bom gosto. Eu era uma criança. Eu realmente não sabia quem era Thomas Vinterberg. Eu não sabia quem era Lars von Trier. Eu não sabia nada sobre o movimento Dogma 95. Tudo era muito novo pra mim, eu não tinha ideia, e eles abriram uma versão mais ampla do que o cinema era e é. No meio e no final da minha adolescência, quando terminei a escola, eu comecei a assistir todos esses filmes e fiquei tipo, “Oh, uau.” Eu ia fundo em Terrence Malick e diretores que eram um pouco mais lento e se concentravam em coisas diferentes. Acho que tenho muito mais apreço por diretores e filmes globais do que por uma apresentação ou um ator. Seu time de trabalho é mais interessante. É difícil definir alguém por um filme. Quero dizer, infelizmente, toda a minha vida foi basicamente definida por Billy Elliot. Fui meio que criado por aquele momento catalítico.

PATTINSON: Você vê o seu time de trabalho e de montagem em si quando você olha para trás, para os filmes que você fez?
BELL: Não realmente. Alguém descreveu a minha carreira no cinema como uma máquina de pinball. [Ambos riem] Eles falaram como, “Oh, você fez Tintin. O que você faz depois disso? Você foi para Nymphomaniac. Isso faz sentido! Você fez um trabalho em uma adaptação de um romance de Irvine Welsh, fodendo meninas e dando golpes.” Tentando encontrar a continuidade e é complicado. Outro ator indicou isto para mim em um filme há alguns anos atrás. Ele disse: “Você está sempre interpretando órfãos. Eu não acho que eu já tenha visto você interpretar um personagem onde você tem ambos os pais.” É uma espécie de verdade. Eu sempre leio os scripts, e é como, “Um personagem olha para uma foto de sua mãe morta.” Eu sou como, “Oh, mãe morta lá vai você!” Eu estou sempre surpreso por continuar trabalhando com o tanto que eu tenho. Mas é estranho. É uma coleção ímpar de trabalho, não é?

PATTINSON: Eu não sei se eu diria a coisa do órfão, mas se eu fosse para descrever seu espírito animal, seria um cordeiro muito excitante. [Ambos riem] Ou uma cabra bebê pequena. Você foi furiosamente abatido pelo agricultor, mas apenas continuou correndo em volta. Seguindo para O Quarteto Fantástico, a grande coisa sobre Thing é que você não tem que se lembrar do seu nome de personagem ou o nome do filme.
BELL: Isso é verdade. Mas, você sabe, ele tem um nome, Rob. Seu nome é Ben Grimm. O outro benefício é que você não vai ver meu rosto de jeito nenhum.

PATTINSON: Eu não vou ver você?
BELL: Oh, não, você vai. Ele é um ser humano antes de se transformar em Thing. Mas certamente há algo sobre o anonimato do personagem que é intrigante. Eu gosto disso. Eu acho que o seu anonimato foi um pouco prejudicado. [ambos riem

PATTINSON: Mas em outras sequencias, nós nunca vamos ver seu rosto novamente?
BELL: Potencialmente. Há coisas nas histórias em quadrinhos onde o personagem de Miles Teller, Reed Richards, desenvolve tecnologia de onde eles podem ser alterados novamente. A minha pergunta, para cineastas e audiências em todo o mundo é: eles querem isso? É improvável. Mas é possível.

PATTINSON: Você se transformou no set? Ou é totalmente computadorizado?
BELL: Oh, não, teve um pouco dos dois. Nós usamos captura de performance, que é a mesma tecnologia que Andy Serkis foi o pioneiro no uso de criar personagens como Gollum, ou Caesar do Planeta dos Macacos ou King Kong. Eu trabalhei com Andy bastante desde que fizemos Tintin juntos, então eu vi como ele está realmente aproveitado essa tecnologia e que é usado em sua vantagem para criar esses personagens duradouros. Quero dizer, eu consideraria Gollum um pedaço de história do cinema na cultura popular, da mesma maneira que os personagens de Star Wars são. Depois da minha experiência em vê-lo trabalhar em Tintin e King Kong, eu realmente vi como ele poderia mergulhar nesses personagens. Eu estava realmente animado com a ideia de usar a mesma tecnologia e chegar com um personagem que poderia ter uma impressão duradoura, que uma audiência pode se conectar com ele. Eu também acho que a ideia de me jogar nesse papel, uma criatura de 2 metros de rocha, é bizarro. Você sabe, eu sou um homem inglês de 1,70 . Tudo isso combinado foi bem interessante.

PATTINSON: Você tem um trabalho de que mais se orgulha?
BELL: Não. Eu realmente não gosto de ver qualquer um dos meus trabalhos. É útil, porque você começa a ver o que erros você acha que você fez e que escolhas não deram muito certo do jeito que você queria que dessem. Mas, ao mesmo tempo, é uma experiência tão dolorosa porque você não pode mudar aquilo. Você não pode fazer nada sobre isso. Assim, o processo de rever torna-se tão inútil. Para me fazer sentar e assistir um filme meu, você quase tem que me pregar na porra do chão. Eu nunca quero ver nada. Estou orgulhoso de ainda estar trabalhando. Mas não há uma coisa que eu posso colocar o meu dedo e dizer: “Essa é a minha maior conquista. Esse é o meu momento de maior orgulho.” Isso é tão complicado para mim.

PATTINSON: Que trabalho foi o mais gratificante de fazer?
BELL: Eu gostei do tempo em que eu trabalhei com David Gordon Green [em Undertow, 2004]. Ele foi ótimo porque seu método de direção era diferente de tudo que eu já havia feito. O processo de fazê-lo foi muito divertido e experimental. E foi a primeira vez que eu estava interpretando um americano. Eu tive que fazer um sotaque para encarnar um personagem do Sul. Foi divertido. Aquilo realmente me fez sentir satisfeito e eu fiquei muito agradecido. Mas, você sabe, isso foi há mais de dez anos atrás.

PATTINSON: E desde então, nada.
BELL: [risos] Eu sempre me diverto! Eu trabalho duro pra caralho. Sempre que eu estou no set, eu realmente tento dar o meu melhor. Eu sempre tento dar tudo de mim no que eu faço. Eu realmente aprecio o processo. É só que quando acaba, eu sou sempre fico meio, “Oh, Deus.” Eu fico tão cético de repente.

PATTINSON: Qual é o melhor conselho que alguém já te deu?
BELL: Provavelmente sempre ser você mesmo. Estou bastante eu o tempo todo. Eu acho que definitivamente ajudou mesmo em termos de sanidade, não em termos de carreira, apenas em termos de manter sua cabeça, especialmente quando você começa tão jovem. Me perguntam muito em entrevistas, você sabe, “Como é que você não está…”

PATTINSON: Louco?
BELL: “…Na reabilitação ou qualquer coisa” Eu provavelmente deveria estar. As armadilhas de atores mirins… Sempre me falaram muito quando eu era criança: “Você tem que ser você, e você deve ser a melhor versão de si mesmo” Eu acho que era um mantra eu sempre disse a mim mesmo é: “Não importa quantas vezes alguém lançar a bola para você, se você balançar a cada vez, eventualmente um deles vai se conectar.” Ser você mesmo e persistência são duas coisas que se tornaram meus mantras diários, suponho.

PATTINSON: Por que você acha que você não é louco? [Ambos riem] Quero dizer, você é um pouco. É uma característica estranha para os atores não serem, mas a maioria deles não tem muita humildade. Eu acho que você é uma das pessoas mais humildes que eu já conheci. É incomum.
BELL: Eu não sei. Penso que os meus demônios são meus demônios, e todos temos eles, e nós trabalhamos em cima deles. Mas eu estou sempre impressionado com as pessoas. Estou sempre impressionado que outras pessoas não sejam tão loucas quanto eu esperaria que elas fossem, ou mais intensas, ou mais humanas do que eu previa. Estou constantemente sendo surpreendido por pessoas. Quando você vê as pessoas que poderiam facilmente ser um saco ou cheias de si ou não te dando seu tempo ou a sua atenção ou o que for, eu estou sempre lembrado de ser humilde e ter humildade. Porque é uma grande característica. Isso me lembra que eu preciso fazer o mesmo.

PATTINSON: O humilde perdido cordeiro órfão: Jamie Bell.

ROBERT PATTINSON é um ator britânico que pode ser visto no filme de Werner Herzog QUEEN OF THE DESERT e em LIFE de Anton Corbijn.

Fonte | Tradução: Gabi Araújo

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