Entrevista + Scans de Rob na edição de Julho da Bilan Luxe

Robert Pattinson é capa da revista Bilan Luxe deste mês e concedeu uma entrevista bem interessante sobre a sua carreira. No ano passado, durante uma entrevista para a Inquirer, ele revelou um fato até então desconhecido pelos fãs, ele disse ter sido diagnosticado com TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), e falou um pouco mais a respeito de como se sente com relação à isso. Veja à seguir os scans e a tradução completa da entrevista.


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“Robert Pattinson se tornou uma estrela do cinema mundial após ter participado saga “Crepúsculo”. No entanto, há dez anos ele tem feito outros filmes que, apesar de serem ótimos, muitas vezes passam despercebidos pelo público em geral. No entanto, ele pretende transformar sua imagem de “galã” transmitida pela saga dos vampiros. Henry Arnaud, de Los Angeles.”

“High Life”, de Claire Denis, “Good Time”, dos irmãos Safdie, até o mais recente “The Lighthouse”, com Willem Dafoe, que acaba de ser lançado em DVD/Blu-ray, como muitos filmes independentes que não seriam financiados se a atração principal não fosse Pattinson. Aos 34 anos, o ator britânico decidiu voltar aos sucessos de bilheteria com “Tenet”, de Christopher Nolan, aguardado com ansiedade pelos cinemas que esperam que as multidões retornem o quanto antes. Ele também foi escolhido para interpretar Batman, cujas filmagens pararam subitamente após a pandemia do Covid-19. O ator concedeu uma entrevista exclusiva a Bilan Luxe para falar sobre sua carreira, seus projetos e sua paixão pelas artes em sentido amplo, e mais particularmente sobre Salvador Dalí, que o inspirou muito jovem no início de sua carreira.

Você é uma das estrelas do sucesso de bilheteria mais esperado do verão, Tenet. Você acha que o filme conseguirá trazer os espectadores de volta aos cinemas?
Se existe uma pessoa que é capaz de atrair multidões, essa pessoa é Christopher Nolan! Fizemos a divulgação em tantos países diferentes que às vezes eu me esquecia em qual país eu estava. Nolan é único na sétima arte. Ele escreve seu projeto como se fosse um filme de autor, mas ele tem enormes orçamentos de dezenas de milhões de dólares para transformar sua história em um grande show! Você precisa de uma tela enorme ou de uma sala Imax para apreciar “Tenet”.

O que podemos esperar de “Tenet”?
Chris Nolan é o diretor mais misterioso que eu conheço. E sou incapaz de não contar um filme quando eu o promovo. Mas dessa vez tive ordens de não dizer nada. O legal de “Tenet” é que eu não entendi nada da primeira vez que li o roteiro, então eu apenas decorei as minhas falas (risos).

Você será o novo Batman de Matt Reeves, cujo lançamento está agendado para 2021. O que você fará para tornar sua versão do homem morcego diferente da de Christian Bale ou mesmo de George Clooney, por exemplo?
Bale fez um trabalho incrível, porque ele trabalha com o Batman há anos. A vantagem é que meu rosto ficará coberto a maior parte do tempo, por isso é tudo sobre minhas ações. Eu tenho uma ideia de me diferenciar do Batman anterior, mas teremos que voltar a produção para ver se funciona.

Muitos grandes atores precisam incorporar seu personagem durante as filmagens. E você?
Não preciso viver na pele de um personagem 24 horas por dia, mas gosto de me isolar. Nos últimos anos, desfruto cada vez mais da solidão. Isso me impede de mostrar meu TOC para todo mundo (risos). Fui diagnosticado quando era mais jovem com transtorno obsessivo-compulsivo, por isso tenho tendência a gostar da solidão, o que pode parecer contra-intuitivo nesse trabalho. A única preocupação é que quanto mais eu me isolo, mais eu sinto vontade de enlouquecer. Quando eu era jovem, fiz coisas estúpidas, pensando que era necessário para o meu papel, como por exemplo chegar bêbado no set de “Água para os elefantes” – com Reese Witherspoon – porque meu personagem estava bêbado na cena. Foi horrível. Fiquei tão paranoico que senti que toda a equipe estava me julgando por ter feito aquilo. Eu pensei que ter uma boa dose de álcool me tornaria mais incrível.

Você fez vários filmes de autores após o final da saga “Crepúsculo”. Foi uma escolha artística quebrar sua imagem?
É mais ou menos isso. É uma sensação estranha assistir a cada um de seus papéis quando você faz parte de uma franquia de sucesso. Também me disseram que eu não podia cometer erros na minha carreira e eu quis quebrar essas expectativas. Se meu nome nos créditos permitiu atrair espectadores para ver filmes de autores como os de David Cronenberg ou Anton Corbijn, por exemplo, isso é ótimo pra mim.

Como você escolhe seus projetos?
Sempre começa com o diretor. Se eu vejo um filme que acho especial, isso me perturba e me faz querer conhecer o diretor… que muitas vezes também é o autor de seu roteiro. Sou proativo em minha carreira. Muitas vezes sou eu quem entra em contato com um artista para oferecer meus serviços. Se tomarmos o exemplo de “The Lighthouse” no ano passado, vi o filme de terror de Robert Eggers “The Witch” quatro anos atrás. Quando descobri que era seu primeiro trabalho, pedi imediatamente para conhecê-lo, porque ele realmente tem um olho diferenciado para o cinema. Nós trabalhamos em outras duas ideias de roteiro que não foram divulgadas até termos a ideia de “The Lighthouse”. Esta câmera em preto e branco em um farol na costa atlântica no século 19 é como um OVNI. Um trabalho original, perturbador e sombrio como eu gosto.

Se eu pedir para você falar sobre arte, qual é o primeiro artista que vem à mente?
O primeiro nome que vem à mente quando se fala em arte é o de Salvador Dalí. Eu descobri esse grande artista aos 20 anos enquanto me preparava para o filme “Little Ashes”. Eu tinha visto algumas de suas obras na minha juventude, sem nunca me interessar pelo homem por trás do artista extrovertido. Dalí me ensinou a amar a arte em todas as suas formas, porque ele era um gênio, pronto para enlouquecer por sua arte.

O que obtemos da experiência de interpretar um grande artista em um filme?
Como Dalí, espero não ter medo do desconhecido, não ter medo de perturbar ou chocar as pessoas com minhas escolhas artísticas e, principalmente, não me importar com os críticos. “Little Ashes” foi filmado em várias regiões da Espanha. Eu era o único em toda a equipe que não falava espanhol. Minha mentalidade jovial na época foi forçada a se adaptar ao ambiente de todos esses latinos, o que era perturbador, mas era ótimo. Quanto mais eu tenho medo de interpretar um papel ao ler o roteiro… mais ele me atrai!

O que você aprendeu quando atuou como Dali?
Eu aprendi a ousar. Em um nível artístico muito mais pessoal, aprendi que é impossível simular a masturbação na frente de uma câmera (Rob ri). Essa cena foi escrita no roteiro e comecei fingindo falta de timidez, e então a alma de Salvador entrou no meu corpo e eu a soltei. Dalí teria adorado essa resposta se ainda estivesse conosco. Tenho certeza!

Na sua infância, pintura, escultura ou qualquer outra forma de arte o atraiu?
Além das aulas de pintura e expressão artística na escola primária, você quer dizer? (Risos) A sétima arte me atraiu muito jovem, mesmo que eu tivesse outras ideias em mente, mas estava ainda mais interessado em escrever discursos políticos. Pode ser uma surpresa, mas no ensino médio eu tinha planos de ir para a universidade e me envolver em política. E então, todas as minhas belas ideias e boas soluções desapareceram com a chegada de “Harry Potter”. Quando terminei meus estudos, descobri outra coisa que exigia muito menos trabalho de casa (piscadela, nota).

Que formas de arte você gosta agora?
A música é certamente a arte que mais gosto, porque abri minha mente para diferentes gêneros. Isso pode mudar dependendo da minha preparação antes de gravar um filme, mas eu ouço muita música clássica, ela tem o poder de me relaxar, mas também de clarear a minha cabeça para me concentrar na leitura de um roteiro, por exemplo.

Ainda falando sobre o assunto “TOC (Transtorno Obssessivo Compulsivo)” que Rob mencionou nessa entrevista, a Amanda Gramazio da Equipe RPBR fez algumas perguntas para a psicóloga Dra. Bianca Nannini, que nos deu mais informações a respeito do assunto. Leia à seguir.

Existe vários tipos de TOC?
Existe uma doença chamada TOC (transtorno obsessivo compulsivo) que pode se manifestar de diversas formas diferentes, de pessoas pra pessoa. Como o próprio nome já diz, o toc é um transtorno caracterizado por um padrão de comportamento compulsivo, ou seja, que se repete de maneira que a pessoa não tem controle sobre isso. Em alguns casos, esses comportamentos são mentais, ou seja, pensamentos que a pessoa não consegue controlar, por exemplo, medos irracionais, ficar preso no mesmo ciclo de pensamento, e etc. Existem casos que esse comportamento ultrapassa a esfera do pensamento e ganha vida nas ações também, que normalmente são os casos mais popularmente conhecidos. Aí os exemplos são imensos, porque como já dito, a manifestação varia de pessoa pra pessoa… Um bem comum de exemplificar é a pessoa que precisa lavar a mão várias vezes, a que tranca a porta de casa duas vezes, uma pessoa que só consegue andar do lado direito da calçada… E existem também as pessoas que vão apresentar as duas manifestações, tanto no pensamento como nas ações também.

O tratamento é pra sempre ? Existe um momento que ele pode ficar “ curado”?
Não tem como a gente falar se o tratamento é pra sempre ou não, porque cada caso é um caso, e cada caso é tratado de um modo… Existem casos, por exemplo, em que a pessoa consegue reconhecer que o comportamento dela é irracional. Que se ela parar de andar do lado direito da rua, nada de mal vai acontecer com ela, e ainda assim, mesmo tendo consciência disso, ela não consegue parar porque isso gera um mal estar enorme. Mas também tem pessoas que não tem essa consciência, então como já dito, cada caso é um caso. É difícil falar em cura, então a gente prefere dizer que o tratamento é um modo de ajudar o paciente a conseguir controlar o toc, e a ter episódios menos graves e incapacitantes, de modo a contribuir pra uma melhora na qualidade de vida dele…

Qual a relação do TOC com a ansiedade? (Fizemos esta pergunta porque o Robert sofre dos dois)
O TOC, na realidade, é um transtorno psiquiátrico de ansiedade… O que difere de uma transtorno de ansiedade generalizada é o fato de que no TOC, essa ansiedade é caracterizado pelos comportamentos compulsivos. Vamos pensar assim, a pessoa com TOC acredita, por exemplo, que se ela não seguir uma série de coisas, algo ruim vai acontecer… E ela só consegue se acalmar se faz isso. Se a característica mais marcante do TOC de um paciente é lavar a mão cinco vezes, enquanto ela não lavar a mão cinco vezes, ela vai ficar nervosa, e os sintomas de ansiedade só vão desaparecer quando ela lavar as mãos cinco vezes… Esses últimos casos, em que a pessoa só consegue aliviar a ansiedade quando coloca em prática o comportamento, normalmente são os mais graves. Mas os mais leves, onde a pessoa consegue se controlar e não emitir os comportamentos, ainda assim são perpassados por sintomas de ansiedade.

Deixo aqui, o nosso agradecimento à Dra. Bianca por ter gentilmente respondido às nossas perguntas. E pra quem quiser conhecer mais o trabalho dela, basta segui-la em suas redes sociais instagram (@psiconannini) e twitter (@biasnannini)

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