Com a estreia de Cosmópolis em Lima no Peru, a imprensa local tem divulgado entrevistas com Robert Pattinson sobre o filme e as gravações do mesmo, nos revelando um pouco mais sobre a cena do exame de próstata, por exemplo. Leia a seguir:

O garoto de Crepúsculo em um filme do respeitado diretor David Cronenberg, como aconteceu isso? No filme Cosmópolis, que teve sua estreia mundial no Festival de Cannes em 2012, Pattinson interpreta um multimilionário que percorre Nova York em limousine, embarcando numa odisseia que inclui armas e sexo. Perguntamos pessoalmente ao famoso ‘vampiro’ sobre esta inesperada transformação em sua carreira.

Crepúsculo e David Cronenberg. Dois mundos muito diferentes. Cosmópolis é um novo início na sua carreira?
RP: O fato de ter estado em Cannes representando este filme foi maravilhoso. Para um ator jovem como eu, que ama o cinema, Cannes é um lugar importante e um dos únicos que vê o cinema como arte. Sem dúvida, para minha carreira, é o início de algo novo. Gravar Cosmópolis me deu a confiança para me focar em projetos que para valer me interessam.

Você acredita que todos os atores jovens sonham com Cannes?
RP: Talvez não, até o dia no qual seu filme é selecionado. Nos Estados Unidos, Cannes não tem muita cobertura, mas em Londres, onde iniciei, é algo grande. O mais estranho é a quantidade de pessoas que aplaudem o filme no final. Nos Estados Unidos, as pessoas vão embora do cinema assim que mal aparecem os créditos na tela.

Aparentemente você é um fã de Cronenberg. É verdade que você assinou o contrato sem ler primeiro o roteiro?
RP: Absolutamente. Meu agente me perguntou se estava preparado para estar no próximo filme de David e eu disse que sim sem pensar. Quando li o roteiro de Cosmópolis me pareceu extraordinário. Desde a primeira vez que o vi senti uma conexão, como se o roteiro tivesse me buscado.

Cronenberg não fez testes com você. Disse que queria ver até onde ia o filme enquanto filmava. Isso não te assustou?
RP: Entendo suas razões porque é um cenário muito complexo que pode ser interpretado de diferentes maneiras. David não me disse muito sobre o que queria. Tivemos uma pequena conversa e nada mais. Recordo estar sentado no meu quarto do hotel duas semanas antes de gravar e falar a mim mesmo: “Meu Deus”. Nos primeiros dias estava aterrorizado. Estava sentado na limousine sem nada para fazer e a ponto de vomitar. Mas sua equipe me tranquilizou e me disse que ele nunca sabe o que quer de verdade, que só precisa de tempo para sentir as coisas. No final, o ritmo foi intenso.

Como foi a cena em que um doutor te examina a próstata?
RP: Cinco minutos dantes de começar a filmar, David me disse: “Quero a parte inferior de tuas bolas na parte de cima do enquadramento”. Nesse momento, pensei que devia fazer tudo o que este homem me pedisse, mas depois tive que ir e lhe dizer que não ia poder fazê-la. Ele reagiu muito bem. O que saiu foi uma cena muito estranha. Te asseguro que não voltaremos a ver nada igual tão cedo.

O livro de Dom DeLillo no qual se baseia o filme foi escrito antes dos atentados de 11 de setembro e da crise financeira. Mas os personagens enfrentam dilemas muito atuais. Você teve que adaptar seu personagem para que fosse mais contemporâneo?
RP: Não é algo que fizemos de propósito. Muitas coisas passaram enquanto gravávamos. O movimento dos “indignados” que abalou Wall Street, por exemplo, aconteceu enquanto estávamos filmando a cena do motim. A princípio, não via Cosmópolis como um retrato da realidade, mas como um poema. Mas quando chega a crítica no mundo financeiro, as coisas mudam. Pessoalmente, eu nunca invisto dinheiro em nada. Não faz sentido.

Seu próximo filme também será com David Cronenberg como diretor?
RP: Sim, mas não sei exatamente quando começará a gravação. O que sei é que será a primeira vez que David fará um filme nos Estados Unidos, mais precisamente em Los Angeles, será sobre a indústria do cinema, promete ser um filme muito estranho. Até lá, estaremos trabalhando na Austrália filmando The Rover com David Michod, e em Mission: Blacklist com o diretor francês Jean Stéphane Sauvaire. Será sobre a captura de Saddam Hussein, farei um militar pesquisador. Na verdade, queríamos filmar em Tikrit, no Iraque, mas é complicado. Mas tenho 26 anos e é o tipo de risco que quero ter. Alguém o deve fazer.


Fonte
| Tradução: Déia Almeida