Enquanto promovia The Lost City Of Z no Festival de Berlim, o ator Robert Pattinson conversou com Simon Mayo nos estúdios da BBC Radio. Confira o podcast e a transcrição à seguir:

TRANSCRIÇÃO:

(áudio de um trecho do trailer de The Lost City Of Z)
– Quem é você? O que você quer?
– Sou Henry Costin, eu respondi ao anúncio do The Times. Eu serei seu ajudante durante a viagem.
– Sr. Costin, por que você está fazendo isso? Estivemos no mar durante uma semana. Por que você se apresentou agora?
– Eu queria ter certeza de que estavas à altura da tarefa. Eu tenho habilidades com rifles e pistolas.
– É muito impressionante. Você tem família?
– Não, não tenho.
– Entendo, estou vendo que você não tem nada a perder. Vou levá-lo como acompanhante. Sr. Costin, vou ser franco, a minha reputação depende inteiramente do nosso sucesso.
Simon: Este é um trecho do filme “Lost City of Z”. Tenho o prazer de anunciar que Robert Pattinson, um dos atores do filme, está agora com a gente no estúdio. Olá, Robert. Como você está?
Robert: Bem, e você?
Simon: Bem, obrigado. Eu disse que Robert Pattinson está no filme porque li a ficha técnica. Eu li todas as informações sobre o filme, vi-o, e vi-te. Mas está irreconhecível
Robert: Eu gostaria que isto se tornasse minha marca, mas não sei se a minha carreira vai crescer se ninguém pode me reconhecer.
Simon: Você interpreta um cara chamado Henry Costin. Pode explicar como ele é?
Robert: Como explicar… ele é um pouco como um vagabundo. Ele tem uma enorme barba e óculos, ele é um completo contraste do personagem Charlie Hunnam, Percy Fawcett.
Simon: Conte-nos sobre a história, e depois vamos falar sobre os personagens. Então, “Lost City of Z”, do que fala esta história que você filmou?
Robert: É a história de Percy Fawcett, um coronel e explorador britânico entre 1908 e 1922, eu acho. Ele era muito conhecido na Inglaterra na época. Ele se tornou famoso por suas longas viagens para a Amazônia. Durante uma delas, ele soube sobre uma civilização perdida, e ficou obcecado por ela até o fim da sua vida. Ele voltou constantemente para a selva para tentar encontrá-la e talvez em vão.
Simon: Ou talvez não. Porque a cidade é chamada de Z?
Robert: Essa é uma boa pergunta.
Simon: Nós vemos como ele faz um discurso no qual ele chama a cidade de Z e nós nos perguntamos: “Por quê Z?”
Robert: Não sei. É muito significativo. Durante a divulgação do filme na América falamos “Lost City of Z” (ziii) soa mais misterioso, e o “Lost City of Z” (zed) soa como um filme de ficção científica dos anos 60. *ele basicamente compara o jeito de falar dos britânicos com os americanos.
Simon: Eu acho que o filme vai ser sobre zumbis.
Robert: Essa é a sequência de “Guerra Mundial Z”
Simon: Certo. Então, Henry Costin, seu personagem barbudo. Eu li que ele é semelhante a Georges Bizet. Eu gostei. Eu pensei, não sei se parece com Georges Bizet, talvez seja pela grande barba. De qualquer forma, como Henry Costin embarcou na aventura com Percy Fawcett?
Robert: Henry Costin foi ajudante Fawcett. Ele leu um anúncio no jornal The Times sobre a procura de aventureiros e foi o único que respondeu. Henry foi o vendedor de frigoríficos, serviu no Exército britânico. Eu não acho que naquela época havia muitas oportunidades para carreiras, especialmente para algo selvagem e interessante. É literalmente como contratar ou não um explorador, quase como sendo piratas, naquela altura.
Simon: Nós acabamos por conhecer a personagem Fawcett porque ele se assemelha a Kipling, aventureiro, bigode, bonito. Nós o seguimos no decorrer da história e entendemos suas intenções. Já seu personagem, é interessante, eu não sabia que ele era um vendedor de frigoríficos. Nós poderíamos saber qualquer outra coisa sobre ele? Porque eu não estou muito certo como ele se encaixa na história.
Robert: Sim, ele é uma representação de três pessoas que foram para selva com Fawcett, por isso tem uma realidade pouco falsa. Fawcett tinha um objetivo importante, toda sua vida estava relacionada com suas viagens. Costin foi com ele, porque ele não tinha nada a perder, ele simplesmente segue Fawcett, que é essencialmente um louco. Por alguma razão, Fawcett não falha. Não faz sentido. Naquela época todos os outros exploradores foram para a selva com centenas de pessoas e com toda comodidade possível e Fawcett pegou 2 ou 3 homens, alguns guias e entrou na selva armado com um facão. Costin, parece-me uma daquelas pessoas que são atraídas para a anarquia. Ele parecia, “Oh, sim, eu acredito nele.”
Simon: Então, acaba por ser de um louco?
Robert: Sim, e eu acho que ele gosta porque ele também é louco. Ele é, eu acho, um pouco rebelde. Se prestar atenção a outras coisas no filme, no Royal Geographical Society, vai ver que a sociedade de Londres, estava estagnada, afundada. Se tivesse a chance de ir para a selva, para ser livre e selvagem, eu acho que é agradável para Costin.

Simon: O que te atraiu para o filme? Já tínhamos te visto em projetos incomuns. Acho que é interessante, e fascinante. Por exemplo, Cosmópolis, muito incomum, filme emocionante. Nós sabemos que você escolhe filmes interessantes. O que te atraiu para o “City of Z”?
Robert: James Gray. Ele dirigiu alguns dos meus filmes favoritos, como “Two Lovers”. Eu acho que é um diretor único. Ele parecia vir dos anos 70 e faz filmes para os padrões da época. Eu sempre quis trabalhar com ele. Neste filme, ele reuniu uma equipe fantástica: Darius Khondji provavelmente é um dos melhores fotógrafos do mundo.
Simon: E James usa rolos de filme?
Robert: Sim, nós também filmamos na Colômbia, bem como em The Rover. Parece-me que usar uma câmera digital em condições extremas tem maior risco, porque pode quebrar por causa do calor ou umidade. Por isso é melhor usar uma câmara com rolos, é mais confiável.
Simon: Então, vocês estavam em condições extremas, pelo menos parecia ser o caso na selva Colombiana.
Robert: Sim, 100%. Acho que era apenas aquela coisa esquisita de quando está fazendo filmes “Eu não acredito que algo que mau vá me acontecer”. Embora sempre acontecia alguma coisa. Estávamos bem.
Simon: Por que você acha isso?
Robert: Eu não sei. Foi um golpe de sorte. Porque nada me aconteceu. Nada passou dos limites.
Simon: O que de errado aconteceu com os outros?

Robert: A minha experiência favorita aconteceu na selva, uma selva totalmente virgem. Ninguém vai para para selva sem razão. As criaturas da selva não iam para o local onde estávamos. Na selva havia cobras, um dos membros da equipe foi mordido no rosto por uma cobra que vivia nas árvores e um homem sugou-lhe o veneno, foi o homem dos adereços para EastEnders [EastEnders é uma série de TV britânica] e foi o seu primeiro filme.

Simon: Isso não acontece frequentemente no set.
Robert: Sim, foi o seu primeiro filme. Ele ficou estranho quando lhe sugaram o veneno. É o que acontece quando se dá 100%. Ele não vai fazer televisão novamente.

Simon: Você disse que nada iria acontecer com você, é o mesmo que Percy Fawcett pensava. Ele estava confiante de que iria encontrar esta cidade, não importando como, “Vou encontrar esta cidade, não importa como”. Talvez você seja um pouco louco, também.
Robert: Sim totalmente. É reproduzido para fora do filme. Lá no fundo Percy Fawcett tinha uma espécie de complexo de Messias. Ele achava que assim que encontrasse a cidade, seria o Deus da cidade na selva. Acho que é o que ele estava pensando, e para ele estava tudo bem, porque ele era completamente louco.
Simon: É desafiador fazer algo do qual está tão distante? Eu sei que quando leu o roteiro sabia onde a história iria, mas fazer um filme em 2017 sobre aquela era de expansão, colonialismo e descobertas… Ele era um homem entusiasmado, um escravo do complexo de Messias. Mas ir para a selva em 2017 é realmente desafiador…
Robert: A conotação do que é realmente o colonialismo. Naquela altura era diferente.
Simon: Fawcett foi impulsionado pela curiosidade intelectual?
Robert: A curiosidade intelectual e o desejo de ser o primeiro. Esse é o lado romântico do colonialismo. Era difícil, naquela altura havia muitas dificuldades mas era algo glorioso. Era algo difícil.
Simon: Você já viu o filme?
Robert:  2 vezes.
Simon: No passado você disse que você não assistia seus filmes. Você viu o último filme de Crepúsculo?
Robert:  Eu não sei. Acho que fui a todas as premieres daquele filme. Eu estou sempre em tudo o que faço, com certeza. Mas este eu vi.
Simon:O que você acha?
Robert: Eu acho que é maravilhoso. Ele está fora de controle. Filmamos na época das chuvas na Colômbia, foi louco. Charlie perdeu quase 20 kg durante as filmagens, e eu 15. Havia uma sensação de que tudo estava caindo aos pedaços. Como resultado, o filme acabou por ser magnífico, clássico e elegante. Estou muito orgulhoso dele.
Simon: Porque o que o que não se sente, está fora de controle.
Não, não de todo, especialmente James. James é provavelmente o habitante mais nervoso de Nova York. É estranho porque, para um filme que se passa 50% do tempo no rio, ele estava sempre com medo de entrar. Era engraçado ver.
Simon: Você escolheu esse filme por causa de James, como Cosmópolis de David Cronenberg? Para você é importante o nome do diretor que está ligado ao projeto?
Robert: Sim, porque você pode ter um bom roteiro que pode facilmente tornar-se um filme ruim ou ter um bom diretor com um roteiro decente e, talvez, fazer um bom filme.
Simon: Você ainda é tão meticuloso na escolha de seus projetos? Eu acho fascinante que entre em filmes que nós nunca pensaríamos. E você não é a estrela. Este não é um filme sobre você, você apenas está lá e está muito feliz com isso.

Simon: E que papel tens nesse filme?
Robert: O ladrão.
Simon: Oh, você é o ladrão!
Robert: Sim. Depois eu fiz uma comédia e, em seguida, espero fazer um filme 100% improvisado. Quero dizer, estou tentando fazer coisas que não me deixem entediado e espero não deixar os outros entediados, também. 
Simon: É sempre um prazer falar contigo, Robert. Obrigado pelo seu tempo.
Robert: Obrigado!
Transcrição: Equipe Pattinson Daily