Nossa querida staff Denise Simino teve a oportunidade de assistir “Bel Ami – O Sedutor” nas telonas. Ela participou do Festival Internacional de Cinema de Brasília no qual o filme está sendo exibido na mostra competitiva. Leia abaixo sua resenha e divagações do filme sem spoilers.

Li o livro Bel Ami do escritor Guy de Maupassant assim que confirmaram a participação do Robert no filme. Lembro que fiquei chocada na época com os rumos que o personagem principal Georges Duroy tomou para vencer na vida, nunca tinha lido um livro dessa forma. A impressão que mais me pegou era “como o Robert faria um personagem que até agora ele nunca tinha interpretado?” e agora, dois anos depois do filme ter sido feito, tive a minha resposta.

O filme vai contar a estória de Georges Duroy, um ex-soldado tentando sua ascensão social e que para isso utiliza recursos nada louváveis. Ele seduz as mulheres que tem alguma posição na Paris do final do sec. XIX, período que se passa o enredo, para conseguiu essa ascensão.

O começo é um pouco confuso, Duroy acabou de chegar a Paris e logo encontra um amigo que o oferece ajuda, depois disso tudo acontece de forma rápida. As mulheres passam pela cama dele mais rápido ainda e logo ele está no top. Alguns fatos acontecem e ele cai na sargeta de novo, depois disso se ele volta ao poder ou fica na parte baixa da sociedade seria spoiler. O final é a parte que mais se assemelha para mim ao livro, está muito parecido com o desfecho que o Guy deu e deixa as mesmas dúvidas sobre o futuro do relcionamento entre Duroy e a personagem Clodilde.

Já que começei a falar de personagens vamos a eles. Robert Pattinson interpreta Georges Duroy que nas palavras do próprio ator é um personagem “totalmente imoral”. Uma Thurman interpreta Madeleine Forestier a persongem feminina inteligente da estória, que entende de política e principalmente como a sociedade daquela época funcionava. Christina Ricci é Clotilde de Marelle a que é amante de Duroy por mais tempo, e por fim Kristin Scott Thomas como Virginie Walter a mulher do proprietario do jornal do qual Duroy trabalha. Virginie e Clotilde são as mulheres que mais sofrem na mão de Bel Ami (explicação do nome no fim do post) uma mais emocionalmente e a outra acrescentado o sofrimento físico. Como não poderia deixar de ser, os outros personagens masculinos nesse filme são meros expectadores e quando muito, possuem uma pequena participação em fatos importantes.

Acredito que o desafio do personagem Georges Duroy seja interpretar um cafajeste na maior parte do tempo, mas que também tem um coração. Se isso é verdade ou não, não cabe aqui. Porém no livro isso é de forma bem sutíl, a humanidade do Duroy. O que ele faz tenta justificar por ter sido pobre a vida toda, mas ele sabe que está errado e mesmo assim continua com seus planos para ter dinheiro e poder a qualquer custo.

O personagem no livro é muito mais cruel e frio do que no filme. Entendo que o livro inteiro não caiba em forma de filme e isso para mim foi o que mais fez falta. Algumas cenas que poderiam caracterizá-lo mais como um vilão do que como um cafajeste. Na verdade ele oscila o tempo todo entre bem e mal, certo e errado. Os valores no livro e filme são deturpados, analisando de uma forma mais realista e porque não dizer verdadeira, ele é apenas o reflexo de uma sociedade consumista, de uma sociedade que preza somente o ter e não o ser.

O filme é marcado por algumas cenas soltas e confusas, sexo e uma boa atuação do Robert e das atrizes que fazem parte do elenco. A dúvida que eu tinha (a muito sanada), e acredito que muitos tenham, sobre se o Robert pode ou nõ ser maior do que a saga que o revelou está sendo respondida. A atuação dele nesse filme não é excepcional, mas é próxima do que o Guy escreveu e isso às vezes é o mais importante. Essa aproximação entre o personagem livro e a interpretação do ator. Ele soube fazer o olhar, o sorriso, o jeito de falar, as cenas de sexo de forma realística, nada caricaturado. O Robert se empenhou neste papel e isso é perceptivel para qualquer um que ver o filme.

Sabem o que é engraçado, até a metade do filme o Robert não fala quase nenhuma frase, embora ele esteja em 97% das cenas, mais da metade do filme depois, ele fala mais do que os outros personagens do filme, muito curioso. A fotografia não merece muito atenção pois a maioria das cenas são feitas em lugares fechados, os detalhes desses lugares é que estão bem característicos, inclusive o figurino está impecável. A trilha sonora é toda instrumental e bem escolhida para cada cena.

Como disse no começo do post, o filme participou da mostra competitiva, mas infelizmente não ganhou prêmio nenhum. Já imaginava que isso aconteceria porque não é um filme brilhante, mesmo a minha parte fã tendo esperanças. A destribuidora brasileira que comprou o filme foi a California Filmes. Bel Ami estreia dia 3  DE AGOSTO e todos vocês poderam ver o que classifico com uma atuação muito boa do Robert.

Obs: O personagem George é chamado de Bel Ami como se fosse um apelido, o apelido de um sedutor que com sua beleza e charme consegue tudo o que quer das mulheres. Ele é mais chamado de Du Roy no livro e mais de Bel Ami no filme.

Leia mais textos sobre filmes e livros no blog dela – Diamante Literário.