David Cronemberg, contou em entrevista que Cosmopolis, não é um típico filme americano com um roteiro bem detalhado e claro, e que a trama dele é voltada num personagem que precisava de um intérprete para transmitir a mensagem dele, e por isso escolheu Robert para ser Eric Parker. Ele fala também das fãs do ator, que o surpreenderam por serem muito dedicadas a ele, elogiando-as pelos seus trabalhos, e revela que ganhou uma camiseta delas, e depois usou em sua homenagem. Acompanhe.

É justo dizer que Cosmopolis está mais interessado no humor e no tom do que na lógica ou na narrativa?
Fico feliz em ouvir você dizer isso! Para as pessoas que estão acostumadas com os filmes de Hollywood, onde tudo é explicado, Cosmopolis pode ser frustrante. Algumas pessoas não conseguem acompanhar algumas coisas que a personagem de Samantha Morton diz, por exemplo. Pelo menos não de primeira. Eu penso nele como um filme sci-fi onde o piloto intergalático está explicando o modo como sua nave funciona. Você não precisa entender o que ele está falando, você só precisa acreditar que ele saiba o que está falando. Eric Packer entende quando seu ‘Chefe da Teoria’ explica como o futuro se conecta com o capitalismo. Isso excita ele, e isso é tudo que você precisa saber.

O que você acha sobre Eric Packer – é importante gostar de seu personagem central?
Eu acho que é importante sentir empatia, não necessariamente simpatia. Você precisa compreendê-lo pelo menos, mas isso não significa que você tem que gostar dele. Você precisa estar fascinado o suficiente para estar com ele durante todo o filme. É por isso que você precisa de um ator carismático como Rob, que é um cara que você quer estar olhando o tempo todo.

Ter no elenco uma estrela como Robert Pattinson tem algum significado para você, além do fato de que ele é o cara certo para o papel?
Não. Foi semelhante a quando trabalhei Viggo [Mortensen, em Promessas Perigosas]. É importante para o financiamento. Se Rob não fosse famoso por Crepúsculo, eu não poderia tê-lo no filme. Mas para mim de forma criativa, que não significa nada. Uma vez que você está no set, somos apenas nós mesmos. Não há mais ninguém lá. É como se ele nunca tivesse feito um outro filme e como se eu nunca tivesse feito um outro filme.

Você gosta da idéia de que os fãs de Crepúsculo podem ter seus horizontes ampliados por Cosmopolis?
Eu gosto. Um monte de meninas que são fãs do Rob, criaram sites para Cosmopolis, e alguns deles são realmente muito bem elaborados e bonitos. E elas estão lendo o livro e falando sobre ele. Elas sabem que não tem nada a ver com Crepúsculo e ainda sim estão animadas. Nós tínhamos algumas meninas do lado de fora do set enquanto estávamos filmando às 3 da manhã. Elas usavam uma camiseta que dizia “Nancy Babich” e tinha uma pistola [uma referência ao guarda-costas de Pattinson]. Elas me deram uma, e eu fiquei feliz em usá-la em homenagem à elas! Sem dúvida haverá alguns fãs de Rob que nunca ouviram falar de Don DeLillo, ou de mim, que irão ver este filme. Não é o bolo, mas é a cereja do topo dele.

Fonte | Tradução: Ana Paula Oliveira