O site da revista Veja publicou uma crítica negativa sobre a obra do celebrado autor americano Don DeLillo, Cosmópolis, como sendo uma “tola fantasia sobre o fim do sonho americano”. Confiram um trecho a seguir e aqui leiam o artigo na íntegra.

Certas cenas de Cosmópolis são tão implausíveis que lembram o realismo fantástico. Mas como este se passava em Macondos empoeiradas, e o livro de DeLillo trata de um futuro já instalado no primeiríssimo-mundo, talvez fosse mais apropriado catalogar Cosmópolis como uma fantasia extravagante sobre o surrado tema do fim do sonho americano. Afinal de contas, por mais high-tech que sejam cenário e musas, o núcleo do romance, em torno do qual giram todas as obsessões, é o mais antigo, batido e visceral ícone do american way of life: um carro. Na limusine, símbolo excelso dessa cultura da afluência e consumo, é que está o real microcosmos da obra.

O grande congestionamento, aqui, é o das ideias e teorias abruptas que o autor põe na cabeça de suas criaturas. Encantado com sua própria voz e horrorizado com tudo o que é obsoleto, inclusive as nuances que dão vida à narrativa, DeLillo exagerou ao copiar a si mesmo. Como ele escreve logo nas primeiras páginas: “Era apenas uma frase de efeito na qual ele não acreditava nem por um segundo”.