Rubens Ewald Filho é um crítico muito conhecido do público em geral pelas suas participações em premiações como a do Oscar. Dessa vez, ele deixa a sua opinião  em seu blog sobre o que achou de Eclipse e de seus atores. Confira!

Dizer que este é o melhor da série até agora seria um falso elogio, já que os dois primeiros foram muito fracos e nunca justificaram seu estrondoso êxito. Este terceiro capítulo não apenas é mais bem dirigido, mas também tem uma história mais agitada, como se tudo que foi apresentado anteriormente fosse mera preparação para, finalmente, haver ação e conflito, tanto no triângulo amoroso, que finalmente ganha um pouco de vida, quanto na guerra entre os vampiros novos e os amigos de Bella, o clã de vampiros e os lobisomens reunidos. Não tem muito sentido tentar ocultar detalhes da trama na resenha, já que os fãs sabem de tudo e já leram os livros.

O diretor David Slade veio dos Music Vídeos e fez antes aquele difícil Menina Má.com (Hard Candy ) e o terror 30 Dias de Noite. Não chega a inventar muito, mas os efeitos especiais são menos grotescos, a história flui melhor e mesmo os atores incomodam menos. Não sei se foi a gente que se acostumou com eles, porque os defeitos estão ali. Kristen Stewart continua apática e com a boca eternamente aberta, sem nenhuma expressão. Mas irrita menos. Robert Pattison é um ator passivo, mas a maquiagem está menos escandalosa, e ele tem mais o que fazer do que no filme anterior. É verdade que algumas cenas entre os dois se arrastam, parecem ter excesso de diálogos e falta de ritmo. Mas o roteiro tem a inteligência de brincar com as situações, fazer a gente rir com o filme, não do filme (porque determinada cena está meio ridícula, o personagem admite que foi tudo um pouco teatral demais!).

Gostei de ficar sabendo mais sobre o clã de vampiros e alguns flashbacks ajudam muito a tirar o foco exclusivamente no trio (os colegas de escola agora aparecem cada vez menos) e o melhor é que todos eles são interessantes. Ou seja, tem mais vida e ao menos Jacob Black (Taylor) faz jus ao seu sangue quente, suas cenas são sempre mais vibrantes.

O roteiro tem uma sequência muito boa e até sensual, que foi roubada do clássico O Proscrito, de Howard Hughes, com Jane Russell. Eu sei porque eu mesmo fiz uma citação dela, escrevendo cena parecida com Bruna Lombardi na novela Drácula. Aqui se inverte o papel. No filme e na novela era uma mulher que se deitava nua por cima do rapaz febril para salvá-lo da pneumonia, aqui é Jacob que está eternamente sem camisa, só Deus sabe por que. E até os diálogos entre os rivais é bem armado.

Como não sou especial fã da série, não conhecia bem os outros do clã de vampiros, mas achei adequado começar o filme com o maior inimigo deles neste capítulo sendo encurralado. Também gostei da participação de Jack Rathbone (como Jasper) e Ashley Green (que faz Alice Cullen). Os dois são figuras atraentes. A hoje famosa Anna Kendrick (Jéssica) pouco aparece, mas faz o discurso de formatura.

Já no meio do filme, ficamos sabendo da trégua entre vampiros e lobisomens, no que resultará o confronto final com os chamados vampiros recém formados (continuo a não me convencer com Dakota Fanning adulta, que não deixa sua marca ou impressão como a vilã maior). De qualquer forma, foi de todos os filmes o que mais me convenceu, o que mais interessou. Custou, mas melhoraram.